sexta-feira, 18 de agosto de 2017

agosto 18, 2017

RESENHA | Na Minha Pele, de Lázaro Ramos

Foto: Divulgação.

Na Minha Pele, de Lázaro Ramos, foi lançado em junho deste ano e rapidamente ganhou popularidade entre o público, seja pela temática que ferve nos dias atuais ou até pelo reconhecimento que o artista tem pelo Brasil. 

Lázaro inicia o livro falando que não se trata de uma biografia e, apesar de sua trajetória estar muito presente na obra, ele menciona para ilustrar suas vivências e descobertas. O livro traz com intensidade a questão religiosa e o sentimento de respeito e admiração pela ancestralidade. O autor traz em diversos trechos um pouco de sua vida na Bahia, falando sobre o início de sua consciência racial, suas experiências com o Bando de Teatro Olodum e como isso foi importante para a sua formação como ator e ser humano que sente e vive na pele o que é ser negro no Brasil. As passagens de sua infância na ilha do Paty e adolescência em Salvador, no bairro da Federação, mostram o processo de construção de identidade de Lázaro Ramos, com fortes influências do Bando de Teatro Olodum e até mesmo do Carnaval de Salvador, que trazia grandes músicas sobre o povo negro. 

Além disso, o autor toca bastante na temática da afetividade, ele fala da solidão da mulher negra sob o seu ponto de vista e também em como ele sempre tenta trazer referências negras para a criação de seus filhos. É o momento em que ele deixa mais claro o quanto a representatividade é importante e o quanto ele sentiu falta disso até entrar no Bando

Citando a Geração Tombamento e artistas como Karol Conka, Rico Dalasam e Tássia Reis e até a autora feminista Chimamanda Ngozi Adichie, Lázaro deixa claro que acredita na transformação dessa juventude que está trazendo cada vez mais representatividade e consciência social para os jovens negros. 

Na Minha Pele é uma obra que une reflexões e vivências de alguém que hoje alcançou um grande sucesso e um elevado nível socioeconômico, mas também deixa claro que ele é uma exceção. Lázaro Ramos passeia entre o seu passado e relata vivências que até os dias de hoje existem na vida de uma pessoa negra. 


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

agosto 16, 2017

Festa da Boa Morte celebra a história de mulheres negras em Cachoeira

Foto: Divulgação/Setur

A Festa da Boa Morte é, desde 2010, Patrimônio Imaterial da Bahia e este ano o evento se iniciou no domingo (13) e vai até a quinta-feira (17). A tradição, uma das maiores do Recôncavo Baiano, é seguida desde o século XIX e reúne mulheres negras em Cachoeira (BA). O evento, essencialmente religioso, tem forte tradição européia, entretanto possui influências da cultura afro-brasileira com as religiões de matrizes africanas.

Foto: Divulgação/Setur
A Irmandade da Boa Morte se iniciou com um grupo de 23 mulheres negras e a tradição se mantém passando de mãe para filha. Podem participar da Irmandade àquelas que possuem mais de 50 anos e, antigamente, só  descendentes de africanos, entretanto hoje são permitidas também mulheres brancas. 

O evento é marcado por missas e procissões onde as integrantes da irmandade saem carregando a imagem de Nossa Senhora do Rosário em direção a igreja que carrega o nome da santa. Durante os dias do eventos as mulheres usam branco e rola até samba de roda, cânticos e pratos típicos baianos, como o caruru

A programação ainda segue no dia de hoje e amanhã (17) com samba de roda e ofertas de comidas típicas como o caruru. 

É importante lembrar que a Irmandade da Boa Morte é responsável pela libertação de vários negros escravizados. Os festejos contam a história dessas mulheres negras que se uniram e lutaram pela liberdade de seus irmãos negros

Foto: Divulgação/Setur

Hoje e amanhã ainda rola festa!

  • Quarta-feira, 16 -  Distribuição de cozido servido ao som de mais samba de roda, às 18h, no Largo D'Ajuda.
  • Quinta-feira, 17 - Oferta de caruru e samba, às 18h.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

agosto 09, 2017

Um dia de garimpo com o Bazzar 102


Neste sábado, dia 12, o Condomínio Costa e Silva (Brotas) recebe o Bazzar 102 - desapegos & garimpos. Promovido por Paloma Silva, Silas Matos, Isadora Dantas e Gilberto B'esse, o evento conta com os desapegos da galera, além de algumas peças das coleções lançadas no Brechó Muambabes.

Os desapegos incluem grandes marcas como Farm, Zara, JohnJohn, Adidas e outras, além de garimpos, tudo isso por um preço super acessível, que vai de R$ 5,00 até R$ 50,00. E não para por aí, claro. Além de roupas e acessórios no precinho, o evento conta também com as artes do Estúdio Amarelo mais música, bebidas e comidas veganas. Lembrando, claro, que no dia o pagamento aceito é em espécie.

Gostaram? Confiram abaixo alguns itens que estarão à venda no sábado:








Não deixem de aparecer! Sempre recebo várias mensagens pedindo dicas de brechós e bazares bons em Salvador. Essa é a oportunidade! Estarei lá, mandem um salve e não esqueçam de acompanhar as redes sociais da galera da organização:


E para quem ainda não segue o perfil do blog no Instagram, corre lá em @blogashismos

Para mais informações sobre o evento, visitem a página do Facebook: Bazzar 102 - desapegos & garimpos

quinta-feira, 13 de julho de 2017

julho 13, 2017

Uma moda que veio da favela

Como os itens estéticos conhecidos como “coisa de favelado” foram absorvidos pela onda Tumblr e se tornaram tendência de moda

Foto: Reprodução/Tumblr

Chinelos slide, viseiras, pochetes e até o risquinho na sobrancelha… Nada disso chegou de repente através das it girls e afins. Antes disso, esses itens estéticos eram usados pela galera da periferia e altamente marginalizados. Se antes um risco na sobrancelha era mal visto, hoje é totalmente diferente quando a estética é absorvida pela galera Tumblr, it girls, digital influencers e por aí vai. 

Sabemos que essa “mudança de opinião” não vem do nada. A gente pode resumir tudo isso à famosa frase que diz que cultura de preto é bom, desde que você não seja preto. 

Isso é uma crítica? Sim. Uma crítica às pessoas que sempre marginalizaram (e ainda marginalizam) esses itens quando estão sendo usados por gente preta, mas dá like e elogia quando é branco quem está usando. 

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https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/originals/74/e3/4b/74e34bfa61b1ed273d61184d01885a25.jpg 

https://scontent.cdninstagram.com/hphotos-xaf1/t51.2885-15/e15/11378599_886737438030466_702954498_n.jpg
Esses itens já passaram por um processo de "gourmetização", ou seja, foram transformados numa versão mais "limpa" para serem usados pela branquitude. Essas peças são as mesmas que até hoje são motivo para as pessoas atravessarem a rua quando é um negro que está usando. Não é preciso puxar muito da memória para lembrar dos esteriótipos. Homem preto, chinelo da Adidas, viseira, pochete... Vem logo à mente o esteriótipo do que a sociedade chama de marginal. Agora pense a mesma coisa, apenas trocando por um homem branco. Muda totalmente, não é mesmo? O estilo "menino-bom" se transforma imediatamente no estilo "boy-Tumblr" que a internet tanto venera.

Há quem diga que a maldade está nos olhos de quem vê. Mas essa é uma desculpa de quem anda fechando os olhos para o racismo presente no nosso dia-a-dia. Sabemos que quando apropriadas essas coisas foram ressignificadas, mas ainda assim são marginalizadas quando usadas por pessoas pretas.

Indo contra essa construção, aproveito o post para mostrar algumas referências de pessoas pretas usando alguns looks com esses itens. É importante reforçar que, ainda nas imagens abaixo, mesmo com pessoas pretas, é possível perceber uma estética totalmente diferenciada e mais puxada para o famoso "estilo Tumblr", mas ainda assim são vistos de forma marginalizada, apenas por serem negros quem estão usando.

Vamos mudar isso?








http://68.media.tumblr.com/b5744d5f31925c5def561bad7d8848dd/tumblr_nyfirpoSxY1qcbkuxo1_1280.jpg 

Fotos: Reprodução/Tumblr

Ps: não vamos esquecer das tranças, que antes eram coisa de "preta suja que não lava o cabelo, tem piolho, quer disfarçar o crespo", mas hoje é cool e tombamento. Já perdi a conta de quantas brancas vêm me perguntar se é apropriação usar tranças. 

terça-feira, 4 de julho de 2017

julho 04, 2017

Uma conversa sobre colorismo

Foto: Essien Akan


Para entender como funciona o colorismo precisamos observar como o racismo é estabelecido aqui no Brasil. Por exemplo, nos Estados Unidos, o racismo vem de origem; ou seja, você já é considerado negro se tiver um ascendente que seja negro. Já no Brasil, quanto mais retinta for a pele preta, mais racismo o indivíduo sofrerá. E aí chegamos na questão do colorismo

Para debater questões raciais, é necessário ter consciência da pluralidade negra. Deve-se ter em mente que a negritude não é cor de pele. Apesar de a sociedade definir o grau de racismo sofrido através da cor de pele, a negritude vai muito além disso. É através dos traços, como o cabelo crespo, os lábios mais cheios, o nariz mais largo

Por isso, negros de pele mais clara e mais escura sofrem racismo de diversas maneiras diferentes, apesar de muitas vezes essas opressões se relacionarem. Existe um grande problema em torno desse assunto. Isso pois muitas pessoas negras nunca se reconheceram como tal por conta da tonalidade de pele mais clara. Muitas vezes essas pessoas são lidas como brancas pela sociedade, porém ainda sofrem um racismo mais velado, não por conta da cor de pele, mas pelos traços negroides

Esses negros de pele mais clara acabam possuindo alguns privilégios que não existem para um negro de pele mais retinta, por exemplo. Isso não é algo ruim, mas entra em outra questão que deve vir junto com essas discussões: o espaço de fala. Discutir sobre espaço de fala é reconhecer que enquanto negros de pele clara, esses indivíduos possuem privilégios e por isso devem respeitar a fala dos negros de pele escura que sofrem o racismo mais pesado. 

A autodeclaração é importante para que os negros de pele clara se reconheçam e reafirmem a sua negritude, sinta orgulho de sua ancestralidade e esteja lado a lado com os outros irmãos pretos, mas sem retirar o espaço de fala de ninguém, respeitando sempre a pluralidade de nosso povo. É indispensável reconhecer os próprios privilégios para que haja um debate justo e somar ainda mais na luta.


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terça-feira, 27 de junho de 2017

junho 27, 2017

Musicalidade ancestral | Conheça a cantora britânica Laura Mvula

Foto: Reprodução/Rolling Stone


Laura Mvula é uma cantora e compositora de soul nascida em Birmingham. Ela lançou seu álbum de estreia em 2013, intitulado Sing to the Moon. Após o Sing to the Moon, a artista voltou a lançar outro álbum de estúdio em 2016, o The Dreaming Room

Criada nas periferias de Selly Park e Kings Heath, em Birmingham, Laura começou a cantar em 2005, com o grupo Black Voices, junto com a sua tia. Com influências da banda Eternal, ela também já integrou uma banda de jazz chamada Judyshouse. E, apesar de seu estilo musical ser o soul e R&B, sua musicalidade passeia bastante pelo pop funk e outros estilos semelhantes. Inclusive em algumas músicas pode ser facilmente comparada com uma Nina Simone contemporânea. 

Durante a sua carreira ela trabalhou com importantes artistas, como Steve Brown, que produziu seu primeiro disco, e Nile Rodgers, que já trabalhou com bandas como Daft Punk. Ao longo da carreira, Laura Mvula ficou mais reconhecida pelo single Green Garden, que compõe o seu primeiro disco. 

Foto: Reprodução/Evening Standart

Carregada de uma voz potente, as músicas da artista lembram muito as antigas músicas africanas e, segundo o MonkeyBuzz, até mesmo as trilhas de filmes hollywoodianos. E ainda, o que deve ser pontuado é que Laura Mvula traz consigo traços de nossa ancestralidade em seu trabalho e ao mesmo tempo mescla com o universo musical da contemporaneidade, trazendo um estilo único e belo. A cantora consegue soar impactante e ao mesmo tempo angelical. Seus álbuns são construídos de forma que cada música evolui gradativamente com relação à anterior. 

Em seu trabalho a mestiçagem é algo nítido. Laura traz em cada música uma característica única, que a obriga a adaptar sua voz às exigências de cada canção. E ela faz isso com maestria. Em termos de estética, a artista não deixa a desejar. Em seus videoclipes o uso de tons terrosos é quase predominante. O que traz novamente esse caráter de resgate ancestral muito presente em seu trabalho. Vale o destaque para o clipe de Overcome (com participação de Nile Rodgers) que possui uma estética cheia de glamour e traz junto vários bailarinos dançando em ritmos africanos

Foto: Reprodução/Superselected

Laura Mvula não peca em estética e muito menos em sonoridade. A artista põe em seu trabalho elementos nossos que devem ser conhecidos e admirados também. Nunca foi difícil para artistas negros mostrarem que têm talentos musicais, entretanto a indústria nem sempre é ao nosso favor e nem sempre dá aos artistas negros o destaque que merecem. Por isso, Laura Mvula merece ser conhecida e seu trabalho merece ser fortalecido e admirado. Tão poucos artistas possuem essa característica de cultuar a ancestralidade negra e é algo muito positivo para manter viva a nossa cultura. Então espalhem a música negra o máximo que puderem para que mais pretos e pretas possam ascender no universo musical e mostrar seu talento para o mundo.



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terça-feira, 20 de junho de 2017

junho 20, 2017

Racismo institucional e o caso Rafael Braga


Para falar sobre o caso Rafael Braga, precisamos primeiro entender o que é racismo institucional e qual a relação que isso tem com o caso. 

O termo “racismo institucional” surgiu no final dos anos 60, a partir de Stokely Carmichael e Charles V. Hamilton, dois ativistas do movimento Black Power. Também abreviado para “RI”, o racismo institucional consiste no sistema racista aplicado por instituições, como corporações empresariais e até mesmo órgãos públicos. 

Para entender melhor a questão, vamos pegar um exemplo bem constante na vida de pessoas negras, principalmente no Brasil: a violência policial. Segundo uma pesquisa de 2014 do Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos (Gevac), da Faculdade Federal de são Carlos, dois em cada 3 jovens mortos são negros e 79% dos policiais envolvidos são brancos. Na teoria, o Estado deveria oferecer segurança a toda a população, independente de raça e classe social, mas na prática não é o que acontece. Inclusive, diariamente são publicados vídeos na internet onde os policiais agem de forma extremamente agressiva com uma pessoa negra, sem necessidade. 

Foto: Reprodução/Brasil Post

Sobre racismo nas abordagens, quase todo negro tem alguma história para contar. Como conta o estudante de arquitetura Michel Alberto. Segundo ele, estava dentro do ônibus quando os policiais entraram para fazer a revista e selecionaram apenas os homens negros para descerem do ônibus. E não para por aí. O diretor do projeto Ocupa Preto, Ícaro Jorge, conta também que na época que estudava em colégio particular, foi abordado por policiais dentro do ônibus: “A PM me parou e ficou fazendo perguntas, se eu estudava lá mesmo e tal. Mas depois me liberou. Não foi uma violência física, mas fiquei me perguntando o porquê da PM não parar meus amigos brancos que também estavam com a farda”, completa. 

Esses casos não se resumem apenas ao racismo velado. Há também a violência física sofrida por negros diariamente e esses casos aparecem com mais força durante as épocas de festas de rua, como o carnaval. Sem falar também nos casos de pessoas que são diariamente perseguidas em cada loja que entram, apenas por serem negras. É a forma como o racismo age. E se há um questionamento por parte da branquitude que diz que o negro vê racismo em tudo, podemos apontar esses dados e relatos para dizer que sim, realmente há racismo em tudo. Está inclusive institucionalizado. Funcionários são treinados de forma racista e o sistema policial também tem bases racistas, vide a forma como abordam pessoas negras nos ônibus e nas ruas. 


O caso Rafael Braga 


Foto: Divulgação

Rafael Braga é um homem negro que em 2013 foi preso no Rio de Janeiro enquanto acontecia uma manifestação com mais de 1 milhão de pessoas. Rafael foi preso por estar portando uma garrafa de Pinho Sol, que usava para limpar carros como forma de se sustentar. Ele não estava participando das manifestações, mas foi acusado de estar com um coquetel molotov e, mesmo após a comprovação de que Pinho Sol e água sanitária não eram de forma alguma inflamáveis, Rafael Braga foi condenado a 5 anos de prisão. Em meio a isso, em 2016, enquanto ele cumpria sua pena em regime aberto, foi novamente preso por policiais que o acusaram de tráfico de drogas. Segundo sua defesa, o flagrante foi forjado após Rafael Braga não entregar o tráfico de drogas do local onde morava e o jovem ainda foi agredido e arrastado. Rafael foi condenado a 11 anos de prisão e com julgamento baseado apenas no depoimento (contraditório) dos policiais  e a única testemunha a favor de Rafael foi ignorada pelo juiz. 

Vale lembrar que, durante as manifestações, vários manifestantes brancos foram presos, porém soltos logo em seguida. Mas por quê Rafael Braga, que nem estava participando, foi condenado? O caso é a prova real de que o Estado possui o racismo em sua estrutura e essa realidade não choca nem metade dos brasileiros. 

Foto: Divulgação

O caso de Rafael Braga se tornou um símbolo do racismo institucional muito presente na realidade brasileira. Esse reflexo se vê no encarceramento massivo da população negra, onde grande parte dos presos não foram julgados e muitos continuam na prisão mesmo após o fim de sua sentença. 

Mas por quê os negros são maioria nas prisões e por quê Rafael Braga foi o único preso nas manifestações de 2013, mesmo não participando? Os jovens negros ainda são maioria entre os mortos por violência. Ainda são maioria entre os que sofrem abordagens violentas por parte da polícia. De acordo com o artigo “Da escravidão às prisões modernas”, da advogada e pesquisadora Dina Alves, “a polícia encontra mais ‘crimes’ entre pessoas negras simplesmente porque a polícia ‘procura’ por mais ‘problemas’ entre essas pessoas. As periferias do Brasil são espaços racializados que são objetos de vigilância policial e por isso têm muito mais chances de fornecer indivíduos para a indústria da punição”. 

Por conta dessa realidade, cada vez mais constante, os negros jamais devem se calar diante de racismo e violência. E o caso Rafael Braga não deve ser esquecido. Não é um caso isolado e fala principalmente sobre a dificuldade que é ser negro e pobre no Brasil. 

Campanha Nacional Pela Liberdade de Rafael Braga


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quarta-feira, 14 de junho de 2017

junho 14, 2017

Cronograma capilar | Cuidados com o cabelo pós-tranças (box braids)

Foto: Reprodução/Tumblr

Usar tranças (também conhecidas como box braids) é um paraíso. Você se sente linda, closeira e empoderada, mas na hora de tirá-las podem se tornar um pesadelo caso os devidos cuidados não sejam tomados. 

O que acontece é que o fio capilar e o couro cabeludo ficam muito sensíveis após a retirada das tranças. Isso porque, durante o uso, não fazemos nenhum tipo de hidratação mais pesada, a não ser trazer os queridinhos óleos naturais para o nosso dia-a-dia.  

O indicado é ir sem moderação no famoso cronograma capilar. Para quem não conhece, o cronograma capilar é uma série de cuidados semanais que consiste em hidratação, nutrição e reconstrução.Ou seja, tudo o que as nossas madeixas precisam para ficarem saudáveis e lindas como sempre. 

Foto: Reprodução/Tumblr

O tratamento é feito em um mês e pode ser repetido quantas vezes precisar. Esse processo é necessário para que o cabelo recupere os nutrientes necessários para manter-se fortalecido através desses cuidados feitos com máscaras e diversos outros tipos de produtos. 

Uma dica super importante e que a maioria já conhece é o queridão das crespas: óleo de coco. Quando eu faço a retirada das minhas tranças eu sempre uso uma solução com óleo de coco e creme de pentear. Uso por, pelo menos, três vezes na semana e o resultado é incrível: fios muito mais macios e brilhosos

Foto: Reprodução/Tumblr

Bom, vamos às dicas!

Hidratação 


A hidratação é o processo que recupera os nutrientes e repõe a água dos fios. Isso deixa os cabelos mais macios e brilhosos. Hidratar o cabelo é uma prática muito comum entre as pessoas, mas nem sempre o procedimento é feito do jeito correto, com disciplina e com os produtos indicados. É importante lembrar que existem diversos tipos de cabelo e por isso devemos usar os produtos que mais se adequam ao nosso tipo. 

Indico: proteínas de mel, arroz, chocolate, aloe vera, colágeno, bepantol, ovo e creme de leite. 

Nutrição


A nutrição recupera o brilho, a maciez e a oleosidade natural dos fios. Ao usar box braids, principalmente se for por mais de 1 mês, os cabelos ficam bastante ressecados. Por isso, a nutrição é uma etapa essencial para recuperar a oleosidade e o peso natural de cada cabelo. 

Indico: Ceramidas, óleo de coco, azeite e açúcar, azeite de oliva, creme de leite, manteiga de karité, abacate, macadâmia e óleo de tutano. 

Reconstrução


A reconstrução, literalmente, reconstrói e traz força aos cabelos. De acordo com o cabeleireiro Sylvio  Rezende, é super importante repor a queratina dos cabelos para que eles fiquem mais resistentes

Indico: queratina, manteiga de tutano, óleo de argan, pracaxi, silicone e aloe vera. 

Foto: Manuela Bbg

É importante manter esses cuidados sempre que o cabelo estiver com o aspecto mais frágil e ressecado. O cronograma capilar pode ser feito várias vezes, mas com moderação, pois em excesso os fios podem ficar oleosos demais ou enrijecidos, trazendo um resultado contrário do esperado. Após o uso das tranças, o ideal é fazer um cronograma, pois o uso deixa os cabelos mais frágeis. 

Pra finalizar, vale lembrar que o processo deve ser feito três vezes na semana, durante um mês. 

Abaixo deixo um modelo de cronograma capilar feito pelo site Dicas de Mulher:

Foto: Reprodução/Dicas de Mulher

Leia também o artigo sobre cronograma capilar feito pelo site Cacheia!.

 Meu resultado pós-tranças:





sexta-feira, 9 de junho de 2017

junho 09, 2017

O tabu do orgasmo feminino e Karol Conka com a inédita "Lalá"

Foto: Divulgação/Facebook


Karol Conka lançou mais uma polêmica relacionada ao universo feminino. Com o seu álbum sendo adiado, a artista liberou mais uma faixa inédita com videoclipe. Agora foi a vez de "Lalá", que fala sobre como o prazer feminino é colocado em segundo plano por homens que não sabem a diferença de um clitóris para um ovário

"Lalá" fala principalmente sobre a prática do sexo oral feminino e chega com a proposta de quebrar o tabu que gira em torno do assunto. Com letra forte e ao mesmo tempo divertida, o videoclipe possui uma direção de arte muito bem trabalhada e que traz elementos sexuais de forma implícita.

(Foto: Divulgação/Facebook)
Karol Conka no clipe da sua nova música, "Lalá" 

Karol Conka tocou no assunto e é o momento de aproveitarmos o gancho para falar sobre ele também, afinal, falar sobre sexo oral masculino é comum e rotineiro na nossa sociedade, mas ainda existe uma forte repressão ao prazer feminino e uma falta de informação enorme sobre o assunto, o que custa caríssimo para o prazer das mulheres. 

O corpo feminino foi censurado por tanto tempo que nem as próprias mulheres o conhecem direito e passam anos da vida sem conhecer. Unindo isso à falta de informação e interesse dos homens, o resultado não é nem um pouco satisfatório para as mulheres. Uma pesquisa de 2014, feita em São Paulo pela Sex Wipes com homens heterossexuais, revela que 35% (mais de um terço!!!) deles sentem nojo de fazer sexo oral na parceira. E aí entramos em outra questão, a misoginia, o nojo pelo corpo feminino. Se é perfeitamente aceitável que mulheres façam sexo oral em homens - alguns que inclusive reproduzem muitos elementos da pornografia e submetem às mulheres ao sofrimento durante o sexo -, por quê o contrário não pode ser feito? Não existe nem mesmo um interesse masculino em dar prazer à parceira. A grande maioria trata o sexo oral como uma parte das preliminares e não o sexo de fato, o que mostra que a visão comum é o pênis como o centro de tudo e que sem penetração não é sexo. 

(Foto: Reprodução/Instagram)
A artista Stephanie Sarley usa frutas para promover a masturbação feminina

Por toda essa falta de informação e interesse em torno do prazer feminino, é tão importante ter uma artista de visibilidade como Karol Conka falando sobre essas questões de uma forma intensa e leve ao mesmo tempo, com uma produção pensada para trazer uma mensagem verdadeira de conscientização. Afinal, enxergar a mulher apenas como um apetrecho pronto para satisfazer o seu desejo sexual, é também uma forma de machismo

Veja abaixo o clipe da nova música de Karol Conka, "Lalá": 

Sobre o blog


Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

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