sábado, 14 de outubro de 2017

outubro 14, 2017

Cadê as bonecas pretas?

Passando por algumas lojas populares em shoppings, ou até mesmo na correria da Avenida Sete, é possível ver o aumento da movimentação por conta do Dia das Crianças se aproximando. Em cada loja é possível perceber quais são os brinquedos preferidos das crianças: a famosa boneca Baby Alive estampava quase todas as prateleiras, sem falar nas diversas miniaturas de super-heróis. Mas existe algo que é, há muito tempo, ausente nas prateleiras das lojas mais famosas: as bonecas pretas.

Falta representatividade no mercado de brinquedos industrializados.
FOTO: Ashley Hawthorne
Considerada a cidade mais negra fora da África e, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tendo quase 80% da sua população formada por pessoas negras, é questionável o fato de ser tão difícil encontrar uma boneca negra em Salvador. Nem nas maiores lojas ou em lojas voltadas ao público infantil é possível encontrar uma sequer. Quando questionados, os vendedores apenas dizem ter acabado muito rápido por chegarem numa quantidade mínima, com relação às bonecas brancas que chegam.

David tem 9 anos e até hoje não conhece nenhum personagem negro. O seu personagem favorito é o Capitão América, da Marvel, mas quando questionado sobre ter um boneco negro, ele diz: “eu queria muito ter um herói que se parece comigo”. Já Amanda, de 12 anos, é fã e apaixonada por Larissa Manoela. Ela diz que nunca ganhou nenhuma boneca preta, mas que sempre gostou muito da Pata, personagem da novela Carrossel.

Bem humorada e sorridente, a aposentada Maria da Conceição, 48 anos, buscava uma boneca para as suas netas. Parando na sessão de brinquedos, ela segura uma caixa cor-de-rosa com uma boneca “loirinha” dentro. “São bem poucas as bonequinhas ‘black’ pretinhas. Na minha época a gente brincava com outros tipos de brinquedos, aquelas do cabelo de milho. Mas agora a coisa está diferente, tem a boneca ‘black’. Eu queria uma ‘moreninha’, mas eu não achei, então vou levar essa branquinha mesmo.”, diz ela.

RASURAS ARTESANAIS


Assim com Vanderleia, outras empreendedoras do ramo divulgam o trabalho em feiras da capital e no interior do estado.
Se a presença de bonecas pretas é praticamente inexistente nas grandes lojas da cidade, no ramo do artesanato a coisa já muda. Existem pessoas que viram neste cenário a oportunidade de promover o seu trabalho. É o caso da professora e artesã Vanderléia Nascimento, de 34 anos, que começou a fazer suas primeiras bonecas ainda na infância, aos 11 anos. “Eram as conhecidas bruxinhas nordestinas”, ensinadas pela mãe. Só em 2014 que Vanderléia decidiu retomar o trabalho com bonecas, desta vez trazendo mais representatividade para as crianças, trabalhando principalmente com as bonecas negras e trazendo o nome Bonecas da Dinda.

Para cada boneca vendida, Georgia doa uma outra.
A designer Georgia Nunes, de 28 anos, também possui a sua própria marca de confecção de bonecas pretas chamada Amora Bonecas. Além de produzir as bonecas, Georgia também faz uma doação a cada Amora que vende. Ela deixa claro que quer levar representatividade às crianças negras e quer vê-las brincando com as Amoras.

Apresentar referências negras às crianças é de grande importância na formação de cada uma. Trabalhos como os de Vanderléia e Georgia precisam se expandir, mas para além disso, as bonecas negras precisam estar sendo fabricadas de forma industrial também e ocupando as prateleiras de grandes lojas de departamento.

Na infância é muito importante ter algo para se espelhar. Eu sempre procurava me espelhar em pessoas iguais a mim, eu torcia por pessoas iguais a mim, gostava das músicas das pessoas iguais a mim, dos filmes em que pessoas iguais a mim faziam parte. E ter essa representatividade é muito importante para todas as crianças”, relata a cantora Ylá Borges, de 20 anos.

Texto de Ashley Hawthorne para o Portal Correio Nagô

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

outubro 06, 2017

GIANTS: A justiça pode ser cega, mas enxerga cores muito bem

Saiba como foi o lançamento de “Giants” e bate-papo com a equipe da série

David Wilson, um dos produtores da série; Flávio Gonçalves, diretor geral do IRDEB; e Bruno Almeira, tradutor e um dos responsáveis por trazer a série para o Brasil
Foto: Rosalvo Neto

Abordando temas como racismo institucional, homofobia e transtornos psicológicos, Giants chega ao Brasil exibida com exclusividade pela TVE, a partir desta segunda-feira (09), às 21h. O lançamento da série aconteceu na Saladearte Cinema do Museu, no Corredor da Vitória, com a exibição do primeiro episódio e um bate-papo com a equipe, inclusive em conferência com o diretor e protagonista James Bland

O lançamento 


Antes da exibição foi notável a animação do público. Ali no pátio do Cinema do Museu, foi possível interagir com os produtores, trocar papos e até mesmo tirar dúvidas sobre a série. As expectativas do público estavam altas, é o que demonstra o professor Denie Soares, 32 anos, “Eu acho que a gente precisa se ver nas telas. Tudo o que temos na televisão é bem branco e preto está sendo muito estigmatizado sempre. Agora podemos ver algo diferente e que vai nos empoderar”. 

Flávio Gonçalves, diretor geral do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), ressaltou a importância de um conteúdo com protagonismo negro na televisão pública da Bahia e do Brasil. “A TVE da Bahia assumiu o compromisso de ser a emissora da Década Internacional Afrodescendente, então temos, cada vez mais, produzido conteúdos próprios sobre a temática negra e dando espaço a esse universo na televisão”, completa. 

A relação da série com os afro-brasileiros 


Giants, apesar de se passar em uma realidade norte-americana, diz muito sobre a Bahia. Muitos dos temas tratados na série são vividos pela população negra aqui no Brasil, as realidades se conectam. “São questões que tratam do dia-a-dia do afro-americano e que coincidem também com o que passam os jovens afro-brasileiros. Por isso a importância de trazer a série pra cá”, explica David Wilson, um dos produtores da série e criador do primeiro portal com conteúdo voltado para afro-americanos, o TheGrio.com

A série 

Foto: Divulgação

O racismo institucional é um dos temas bastante trazidos na série. “Foi intencional abordar essa questão para conscientizar as pessoas sobre isso. Não queria que fosse uma coisa pessoal, queria mostrar que é uma questão coletiva e não individual”, afirma o diretor e protagonista James Bland.  Além disso, a série discute também a questão dos transtornos psíquicos entre a comunidade negra. A personagem Journee foi a que gerou maior identificação do público e a presença desse recorte na série mostra a importância de haver um debate maior sobre saúde mental entre os jovens negros. “A gente percebeu que isso era muito importante porque, infelizmente, não vemos o recorte racial quando falamos de transtornos psicológicos”, completa Bruno Almeida, tradutor e um dos responsáveis pela parceria que traz a série para o Brasil. 

Conferência com James Bland
Foto: Rosalvo Neto

Durante a conferência, diretamente de Los Angeles, James Bland responde a algumas perguntas do público, que estava bem humorado e interativo. Questões que vão desde a guerra às drogas até a trajetória do artista foram abordadas. Inclusive passando por pontos como os custos da produção, que teve financiamento coletivo e familiar. Bland finaliza mandando uma mensagem aos jovens negros, expostos constantemente à realidade da violência policial: “Educação é importante e é preciso votar em políticas que tenham isso em suas agendas”. A partir desse diálogo, é possível relembrar uma das frases mais marcantes do primeiro episódio, exibido no lançamento: a justiça pode ser cega, mas enxerga cores muito bem

Para saber mais sobre a série, acessem www.giantstheseries.com


Texto de Ashley Hawthorne para o Portal Correio Nagô

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

outubro 02, 2017

25 anos do Massacre do Carandiru

Foto: Divulgação

O Massacre do Carandiru aconteceu em 02 de outubro de 1992 e é simplesmente o maior massacre da história dos presídios brasileiros. O caso aconteceu por conta de uma rebelião na Casa de Detenção de São Paulo, onde policiais militares interviram, causando a morte de 111 presos. 

A rebelião foi causada por uma briga entre presos e, a partir disso, outros detentos aproveitaram para "resolver" conflitos anteriores. Liderada pelo coronel Ubiratan Guimarães, segundo os policiais, a intervenção da polícia tinha o objetivo de conter a rebelião. 

O julgamento dos policiais foi dividido em quatro etapas. Em 2001, o coronel Ubiratan foi condenado a 632 anos de prisão pela morte de 102 dos 111 presos. No ano seguinte ele foi eleito deputado e, por isso, julgado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça, onde foi absolvido por vinte votos a dois. Os outros julgamentos aconteceram em 2013 e 2014, onde 73 policiais foram condenados. 

Em setembro de 2016, os responsáveis pelo recurso da defesa dos réus decidiram anular os julgamentos anteriores afirmando que não há como mostrar os crimes cometidos por cada um dos envolvidos. E ainda, segundo o portal Agência Brasil, "o desembargador e ex-presidente do TJ, Ivan Sartori, defendeu que os policiais agiram em legítima defesa". 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

setembro 27, 2017

RESENHA | Esú, de Baco Exu do Blues

Capa do álbum
(Foto: Divulgação)
Baco Exu do Blues é um rapper baiano que ganhou notoriedade recentemente com a música polêmica "Sulicídio". Agora ele está de volta com o seu trabalho em "Esú" e já chega com potencial para ser o disco do ano. 

O que chama atenção para o álbum, logo de cara, é a capa. Com fotografia de Matheus Aragão, a capa do disco traz uma foto de Baco com os braços abertos, em frente a uma igreja. Logo em cima é possível ver a palavra “JESUS”, com a primeira e última letra riscada, dando origem ao título, “ESÚ”, que significa “Exu”. Vale lembrar que a capa foi o que causou as principais polêmicas em torno do disco. Foram muitos comentários odiosos e intolerantes, quando na verdade o próprio Baco diz que as pessoas deveriam enxergar o “Exu” dentro de Jesus. 

Fotografia para o álbum
(Foto: Divulgação)

A fotografia, título e arte de capa foram uma sacada perfeita para descrever o real conceito do álbum. As letras têm um caráter muito autobiográfico e quando se entende a história do orixá é que elas parecem fazer ainda mais sentido. 

Foi interessante entrar em contato com o rap que fala sobre sentimentos. A maioria das letras trazen relatos bem íntimos, falando de sentimentos, como alegria e tristeza. Dentre as temáticas estão: sexualidade e paixão, com “Te Amo Disgraça”, de longe a música mais comentada pelo público; depressão e suicídio com a forte “En Tu Mira”; e liberdade e coragem unidas à elementos da literatura em “Capitães de Areia”. 

Diogo Moncorvo, conhecido como Baco Exu do Blues
(Foto: Divulgação)

Baco evidencia a questão da humanidade e divindade, sendo Exu o orixá mais humano de todos. “Metade homem, metade deus”, como diz a faixa que dá título ao álbum. Inclusive ele comenta em entrevista ao portal Correio Braziliense que “Exu carrega todo o sentido da dualidade da vida, de conviver entre o alto e o baixo”, e é essa essência que ele carrega no trabalho em Esú, mostrando liberdade e prisão ao mesmo tempo. 

Com esse trabalho, Baco mostrou para o que veio. Ele deixa clara a sua identidade e o fato de que tem muito conteúdo para trabalhar. Para Flávio Mello, 21 anos, "é legal ter um cara como Baco na cena, pelo pertencimento, por ser de Salvador. Além dele trazer elementos bem característicos daqui nos versos e na forma de cantar".

O mais incrível é que, com Esú, Baco traz mais uma vez visibilidade para o rap baiano

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

setembro 07, 2017

A alta dos brechós e o incentivo ao consumo consciente

É possível, sim, consumir moda de forma consciente e criativa!


Foto: Pedro Luiz

Consumir roupas usadas sempre foi muito comum na Europa e EUA, mas no Brasil a prática virou tendência há pouquíssimo tempo e já pode-se notar certas mudanças nos hábitos de consumo dessas pessoas.

Falar de brechó é automaticamente falar sobre consumo consciente e moda sustentável. Há um grande conceito por trás disso e, mesmo que nem todo mundo compre com a intenção de ser sustentável, já causa um benefício enorme para o meio ambiente. A verdade é que o maior atrativo dos brechós é o baixo custo. Peças usadas são sempre vendidas por um preço muito abaixo do mercado e até em momentos de crise essa é uma opção mais viável.
Foto: Pedro Luiz

Mas a grande questão de consumir roupas usadas é não só garantir exclusividade nas peças, montar looks criativos e vintage, mas também pensar no quanto isso contribui para que o consumo consciente se estenda para outras instâncias. Afinal, é extremamente benéfico se conscientizar sobre tudo o que se compra. Hoje em dia podemos perceber mais marcas de roupas humanizando seus produtos e fazendo as pessoas notarem que uma peça não é apenas uma peça, ela tem uma história e várias pessoas trabalhando por trás para que ela esteja lá nas prateleiras depois.

Responsabilidade social é importante e comprar roupas que já existem é o que torna os brechós tão especiais. Além disso, comprar em brechó incentiva o conserto e customização das peças. Hoje em dia é bem comum jogar uma roupa fora até se ela tiver um simples furo, parece até coisa de outro planeta encontrar alguém que conserte suas próprias roupas e volte a usá-las.

E, por fim, a grande mágica que os brechós nos proporciona é poder agregar valor à uma peça quando ninguém vê potencial nela. Parece difícil chegar num brechó e se meter na poeira pra encontrar peças que valem a pena. O grande segredo é ter visão e sempre enxergar um potencial naquela roupa. Às vezes uma peça que antes era usada de tal forma pode ser ressignificada e utilizada de outra forma totalmente diferente. É uma das coisas que tornam o consumo em brechós tão especial, é fazer da moda algo criativo e ousar no momento de escolher seus looks.

Garimpar não é só se meter na poeira pra achar blusinhas de 1 real, é também ressignificar!

Conheça o DNMT Brechó no Instagram e no Facebook!








Fotos: Pedro Luiz
Edição: Pedro Abreu

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

setembro 01, 2017

Saiba o que vai rolar na primeira edição da Feira Nagô


Neste sábado (02), o Instituto Mídia Étnica recebe a primeira edição da Feira Nagô, evento que reúne música, poesia, oficinas, empreendedorismo negro e muito mais. Com entrada gratuita, a feira acontece das 10h às 18h e com as mais variadas atrações. O evento conta com a presença de afroempreendedores dos mais variados seguimentos. Vai ter vendas de roupas, comidas, artesanato e acessórios. 

A Feira Nagô também contará com presenças ilustres da galera que balança o cenário artístico negro de Salvador, como a rapper Áurea Semiséria, Fayakayano e RBF - Rapaziada da Baixa Fria. Além disso, rola também oficinas e um espaço todinho dedicado às crianças. 

Confira abaixo, com detalhes, as atrações: 

Flash Day de Tattoo com o Studio Urbano Tattoo

O Urbano Tattoo é um estúdio de tatuagem e piercing localizado em Sussuarana. Lá os profissionais trazem para a tatuagem a essência da cultura Hip Hop. Conheça mais clicando aqui

Pocket show de Áurea Semiséria

A rapper baiana Áurea Semiséria marca presença na Feira Nagô com um pocket show. A jovem de 19 anos já lançou o seu primeiro EP, intitulado #ROXOGG, e também alcança a marca de 20 mil views no YouTube com o clipe de “Áurea Abolicionista”. 

Veja o vídeo abaixo: 


Fayakayano

Ritmos africanos como Rap, Reggae, Raggamuffin/Dancehall, Reggaeton, Kuduro, Kizomba, Zouk e outros chegam na Feira Nagô com o Fayakayano. Conheça mais clicando aqui

RBF - Rapaziada da Baixa Fria

A Rapaziada da Baixa Fria também estará no evento. Grupo que enaltece a cultura do hip hop e busca desassociar a cultura da ideia negativa trazida pela sociedade.  Conheça mais clicando aqui

Intervenções poéticas com Maiara Silva e Michelle Saimon


Oficina de Contação de Histórias

Espaço infantil com uso da Pedagogia Abayomi e com bonecas pretas artesanais produzidas por Raissa Rosa Abayomi. Conheça mais clicando aqui

Oficina de Tranças 

A trancista Tárcia Alves estará no evento ministrando uma oficina de tranças. 

Oficina de Turbantes 

A marca de turbantes Empoderamente também estará na feira exibindo seus produtos e ensinando como fazer belas amarrações.

Lembram do Empoderamente? Já fizemos uma parceria com elas aqui

Além de todas essas atrações de peso, a Feira Nagô terá também um espaço para doações de alimentos não perecíveis que serão arrecadados para alguma instituição. 

Vai perder essa feira? A primeira edição já chegou com tudo e trazendo uma galera de peso que movimenta o cenário artístico e cultural de Salvador, além dos empreendedores que levarão seus produtos para serem apreciados e comprados também. 

A feira tem o intuito não só de comercializar produtos, mas de fortalecer, de forma coletiva, nossa rede de empreendedores e serviços” - pontua Hellen Caroline, uma das organizadoras da feira.

Para mais informações, confira a página da Feira Nagô no Facebook!


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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

agosto 24, 2017

Legalizar a prostituição é abrir espaço para a indústria sexual se expandir


Texto: Ashley Hawthorne 

Há tempos que as discussões feministas passaram a se atentar mais à questão da legalização da prostituição. Há algumas correntes que defendem a libertação usando todo aquele argumento liberal de liberdade sexual e poder de escolha. Argumentos que, para mim, parecem vazios e individualistas. Partindo do pressuposto de que a grande parte das mulheres que hoje vivem em situação de prostituição não desejam estar ali e só o fazem por necessidade, o ato sexual é, então, forçado, contra a vontade. Ou seja, um estupro. Há quem interprete de forma diferente. 

Essa prática existe desde os primórdios e sempre foi algo marginalizado. As mulheres que viviam na prostituição estavam sempre à margem e eram excluídas de todos os espaços, além de serem hostilizadas. 

Hoje em dia - também com o crescimento da cultura da pornografia -, a prostituição é vista por alguns como algo “cool” e libertário. Por isso a sua legalização é muito discutida e bem vista por alguns grupos. Entretanto devemos lembrar de toda a cultura que objetifica o corpo feminino e o quanto o tráfico sexual de mulheres ainda é um problema gigantesco. Dados de 2009 do Escritório das Nações Unidas Sobre Drogas e Crime (UNODC) revelou que representam 66% das vítimas são mulheres adultas, 13% são meninas, enquanto 12% são homens e 9%, meninos. 

Legalizar a prostituição é permitir que nossos corpos sejam (ainda mais) monetizados. Além do fato de que a legalização não torna mais digna a vida dura das mulheres que vivem na prostituição, só abre margem para a indústria sexual explorá-las ainda mais. É válido citar que no Brasil, em 2009, o deputado Jean Wyllys (PSOL) apresentou um projeto de lei à câmara com a proposta de regulamentar a prostituição, garantindo mais direitos e proteção a essas mulheres. Entretanto, não é possível uma desmarginalização dessa prática quando, em contrapartida, isso estaria reforçando a exploração sexual e expandindo a indústria do sexo. 

Não há, também, como usar o discurso libertário de que a mulher terá os direitos de seu próprio corpo. Se hoje já são coagidas por cafetões, donos de bares e afins, com a legalização da prática isso seria facilmente intensificado e uma indústria que vende o corpo feminino estaria, não surgindo, mas emergindo de forma mais fácil. 

Defender a regulamentação da prostituição não é automaticamente defender as prostitutas, é abrir espaço para uma indústria que escraviza as mulheres. E o discurso contra a legalização também não quer dizer que estejamos contra essas mulheres. É possível sim defender as prostitutas e ser contra a legalização da prostituição. Não precisamos de mais leis que sirvam para “tampar” os buracos da nossa sociedade e sim de medidas que tirem essas mulheres da rua e leve-as para outros espaços onde possam sobreviver. Afinal, com o estado regulamentando a prostituição não é garantia que essas mulheres não sejam agredidas. A prostituição em si já é uma violência. 

terça-feira, 22 de agosto de 2017

agosto 22, 2017

Estão de volta os óculos queridinhos da Ui! Gafas inspirados em Amélie Poulain

Foto: Reprodução/Ui! Gafas

A Ui! Gafas é a primeira loja online brasileira a vender exclusivamente óculos importados com um preço mais acessível. Com um conceito de modernidade, mudança e atitude, a marca traz modelos inovadores e que chamam a atenção do público jovem e antenado nas tendências da moda. 

Hoje a marca é usada por diversos influenciadores digitais desta geração, como Josiane Silva, que, inclusive, é stylist da Farm, cheia de estilo e super engajada nas tendências de moda. 

Um dos modelos mais amados da Ui! é o Amélie, inspirado na icônica personagem do filme francês O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Agora eles estão de volta no acervo para aquecer o coração do público que é apaixonado pelo conceito do filme e pelo estilo retrô que a peça traz. 

E as inspirações não ficam somente na história e estilo da personagem. O blog da Ui! Gafas preparou em seu blog um post completíssimo com vários fatores do filme que serviram de inspiração para os óculos. E as influências vão desde a moda, o cenário, enredo, cores e, pasme… trilha sonora. Já dá para perceber que os modelos não são meros óculos e carregam um conceito fortíssimo que está atrelado não somente à marca, mas também ao que ela se inspira. 

Ficaram curiosos? Vejam abaixo os modelos e se apaixonem!

Foto: Reprodução/Ui! Gafas

Foto: Reprodução/Ui! Gafas

Foto: Reprodução/Ui! Gafas

Há mais modelos disponíveis no site também: Clique aqui!

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

agosto 18, 2017

RESENHA | Na Minha Pele, de Lázaro Ramos

Foto: Divulgação.

Na Minha Pele, de Lázaro Ramos, foi lançado em junho deste ano e rapidamente ganhou popularidade entre o público, seja pela temática que ferve nos dias atuais ou até pelo reconhecimento que o artista tem pelo Brasil. 

Lázaro inicia o livro falando que não se trata de uma biografia e, apesar de sua trajetória estar muito presente na obra, ele menciona para ilustrar suas vivências e descobertas. O livro traz com intensidade a questão religiosa e o sentimento de respeito e admiração pela ancestralidade. O autor traz em diversos trechos um pouco de sua vida na Bahia, falando sobre o início de sua consciência racial, suas experiências com o Bando de Teatro Olodum e como isso foi importante para a sua formação como ator e ser humano que sente e vive na pele o que é ser negro no Brasil. As passagens de sua infância na ilha do Paty e adolescência em Salvador, no bairro da Federação, mostram o processo de construção de identidade de Lázaro Ramos, com fortes influências do Bando de Teatro Olodum e até mesmo do Carnaval de Salvador, que trazia grandes músicas sobre o povo negro. 

Além disso, o autor toca bastante na temática da afetividade, ele fala da solidão da mulher negra sob o seu ponto de vista e também em como ele sempre tenta trazer referências negras para a criação de seus filhos. É o momento em que ele deixa mais claro o quanto a representatividade é importante e o quanto ele sentiu falta disso até entrar no Bando

Citando a Geração Tombamento e artistas como Karol Conka, Rico Dalasam e Tássia Reis e até a autora feminista Chimamanda Ngozi Adichie, Lázaro deixa claro que acredita na transformação dessa juventude que está trazendo cada vez mais representatividade e consciência social para os jovens negros. 

Na Minha Pele é uma obra que une reflexões e vivências de alguém que hoje alcançou um grande sucesso e um elevado nível socioeconômico, mas também deixa claro que ele é uma exceção. Lázaro Ramos passeia entre o seu passado e relata vivências que até os dias de hoje existem na vida de uma pessoa negra. 


Sobre o blog


Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

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