domingo, 1 de março de 2015

Uma geração perturbadoramente depressiva


Eu comecei a assistir Skins há uns dois anos atrás. Na época eu era totalmente diferente de como sou hoje, então a série não causava em mim o mesmo efeito que me causa hoje. Entretanto eu conseguia sim me apegar aos personagens de um jeito insano e quando terminei a 2ª temporada foi um choque para mim ver o meu personagem preferido morrer, então eu meio que larguei a série e só no finalzinho de 2014 que voltei a assistir. Bom, o que eu pensei naquela época? Quando eu assisti Skins pela primeira vez fiquei pensando em como eu queria que a minha vida fosse daquele jeito. Eu queria festas e amigos divertidos, bebidas, sexo, sair a noite, etc., então no final ver que nada daquilo era por acaso e que todos tinham algum problema e que ninguém era de fato feliz me fez pensar se valia mesmo a pena.

A primeira geração foi fantástica, parecia um sonho insano em que todos eram livres para fazer o que quiserem. E os personagens, ah, os personagens eram incríveis. Cada um com uma personalidade totalmente distinta. Mas foi com a segunda geração que eu me identifiquei realmente. Não sei, talvez os problemas deles parecessem bem mais realistas ou sei lá. Cada personagem me tocou de uma forma diferente e me causou efeitos que duraram até muito depois de o episódio terminar. A segunda geração é bastante depressiva, mas eu gosto de como são os personagens, de como as histórias se desenrolam e principalmente do sentimento de amizade entre Cook, Fred e JJ. Primeiramente é super irritante essa teia de aranha amorosa entre eles e a Effy. Mas no final, depois de tantas desavenças e atritos por causa dela, a amizade deles prevaleceu. Eu odiei o Cook desde o primeiro episódio da 3ª temporada e ver o desenvolvimento da história do personagem durante a temporada foi incrível. Na real todos julgamos as pessoas pelas suas atitudes, mas nunca sabemos o que leva aquela pessoa a fazer aquilo e nem pensamos em como ela deve se sentir no fundo para ser tão escrota, tão otária, tão estúpida. E no fim eu entendi o Cook e suas atitudes (não que os seus problemas justifiquem muitas merdas que ele fez). A Effy para mim é a maior incógnita do universo, espero que eu consiga entendê-la no fim. JJ é o personagem que eu mais gosto e mais me identifico. E Emily e Naomi meu OTP do universo. 

Bom, essa geração foi a que mais me transtornou até agora. O fim dos episódios sempre são perturbadoramente depressivos e me deixam pensando sobre a minha própria vida, o que causa uma inevitável crise de choros. Eu acho que quem critica a série e acusa de péssima influência para jovens não entendeu o real propósito da série ou nunca passou do primeiro episódio. A série não é um exemplo do que fazer e sim uma amostra da realidade de muitos jovens, um exemplo do que não fazer. Afinal, se a série quisesse incitar os jovens a consumir drogas e álcool, ela não mostraria uma parte de cada personagem e o quanto eles tem diversos problemas. Mostraria apenas o superficial, como as festas, etc. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sobre o blog


Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

Newsletter