segunda-feira, 18 de abril de 2016

RESENHA | Fangirl, de Rainbow Rowell



Título Original: Fangirl
Autor: Rainbow Rowell
Editora: Novo Século
Ano: 2014
Páginas: 424


Fangirl - Cath é fã da série de livros Simon Snow. Ok. Todo mundo é fã de Simon Snow, mas para Cath, ser fã é sua vida – e ela é realmente boa nisso. Vive lendo e relendo a série; está sempre antenada aos fóruns; escreve uma fanfic de sucesso; e até se veste igual aos personagens na estreia de cada filme.

Diferente de sua irmã gêmea, Wren, que ao crescer deixou o fandom de lado, Cath simplesmente não consegue se desapegar. Ela não quer isso. Em sua fanfiction, um verdadeiro refúgio, Cath sempre sabe exatamente o que dizer, e pode escrever um romance muito mais intenso do que qualquer coisa que já experimentou
na vida real.
Mas agora que as duas estão indo para a faculdade, e Wren diz que não a quer como companheira de quarto, Cath se vê sozinha e completamente fora de sua zona de conforto.
Uma nova realidade pode parecer assustadora para uma garota demasiadamente tímida. Mas ela terá de decidir se finalmente está preparada para abrir seu coração para novas pessoas e novas experiências.
Será que Cath está pronta para começar a viver sua própria vida? Escrever suas próprias histórias?

Então, gente... vocês sabem que eu amo uma história fofinha e clichê, né?! A Rainbow Rowell é mestre em histórias fofas e, depois de ler Eleanor & Park (leia a resenha do livro aqui) eu fiquei apaixonada pela Rainbow e comecei a procurar seus outros livros até, por fim, encontrar Fangirl no Tumblr e na estante de muitos amigos meus.

Bom, Cat é super fã da série de livros Simon Snow e escreve fanfics sobre esse universo. Fanfiction, como o próprio nome diz, é ficção de fã, ou seja, independente de ser livro, série ou filme, se por acaso o fã imaginar um outro rumo para a história, ele pode escrever seguindo outro caminho que não foi imaginado pelo autor. Enfim. Cat está indo para a faculdade e a sua irmã gêmea, Wren, não a quer como colega de quarto. Sozinha, insegura e com medo, Cat é tímida e de agora em diante deve seguir seus próprios passos no mundo real. Com sua colega de quarto mau-humorada e seu namorado que não desgruda do quarto, Cat se vê fora de sua zona de conforto e acaba se tornando cada vez mais áspera e fazendo de tudo para afastar as pessoas de si. Ela se acha esquisitona, nerd e maluca por ser obcecada por Simon Snow e por escrever fanfic sobre a sua história, coisa que ela é muito boa.

Primeiro, eu demorei séculos até fazer a minha leitura deslanchar, porque eu simplesmente imaginei que o livro seria de uma outra forma. Não gostei da Cather. Não gostei da imagem equivocada que a Rainbow deu às escritoras de fanfic. E, por fim, não gostei de como a Cat se parece tanto com a Eleanor. Por que a Rainbow tinha que fazer a Cat tão paranoica e "ai-meu-deus-eu-sou-tão-diferente-e-esquisita-e-quero-afastar-todos-de-mim"? Sério, achei totalmente irritante! E reclamei disso quando li E&P. Mas talvez seja o estilo da Rainbow, não sei, porém personagens assim realmente me irritam muito. Outra coisa... as escritoras de fanfic não são psicopatas desse jeito! Elas são normais, vivem normalmente, se relacionam com outras pessoas e sabem distinguir a ficção do mundo real. Tudo bem que algumas fãs ultrapassam os limites e têm algum tipo de problema psicológico que as fazem parecer retardadas (e realmente são), mas a Rainbow poderia ter maneirado um pouco nessa parte, porque pelo amor de Deus, o jeito da Cat me irritou muito, principalmente algumas atitudes ridículas dela. E, CARAMBA, a Cat se encaixa tão perfeitamente no esteriótipo nerd-fracassada-minha-irmã-é-melhor-que-eu que eu não pude evitar compará-la com a Eleanor que é exatamente assim (tirando a parte da irmã). Pensei que seria legal se a Rainbow pudesse dar uma personalidade diferente para a Cat.

Entretanto, domingos são ótimos para ficar o dia todo trancada no quarto, lendo livro e fugindo do tédio, então eu decidi encarar o livro e, com o decorrer da história, comecei a simpatizar até, por fim, começar a amar e não querer largar. Foi um progresso e tanto! Não que a Cat tivesse deixado de ser irritante, mas eu aprendi a aceitar o seu jeito, mesmo revirando os olhos em algumas cenas. A forma como o livro consegue equilibrar relacionamento familiar, descobertas e romance (ainda que as partes românticas tenham sido, em maioria, demasiadamente melosas) é incrível! Achei interessante a Rainbow abordar um fato entre gêmeos, muitas vezes um se sente inferior pelo fato de o outro ter uma personalidade diferente e muitas vezes mais extrovertida, ter facilidade em se relacionar com as outras pessoas, etc... A Cat se sentia ameaçada pelo ar "mais descolado" que a irmã tinha. Wren era a que sempre levava vários garotos para casa, tinha vários amigos, ia à várias festas e Cat era a esquisitona que fugia de socialização como o diabo foge da cruz. A cena em que ela diz para o Levi que ela nunca o deixa muito tempo perto da irmã por ela parecer ser a melhor em tudo me partiu o coração.

Ah, Levi!!! Não pode faltar um cara gato em todo livro, né?! E Levi é o cara ultra-gato de Fangirl. O caipira alto e loiro, de barba e com cabelos compridos e maravilhosos. SIM! E supostamente o namorado da colega de quarto da Cather, Reagan. Levi é sorridente, gentil e carismático, o que faz Cat se apaixonar por ele sem nem perceber. Depois ela descobre que Levi é na verdade amigo e ex-namorado de Reagar, Cat e ele passam a ter um romance bem intenso e dramático. Ele é o cara legal e ela a esquisitona, já imaginaram o drama, né?! Apesar de ter achado algumas partes tão melosas que quase me fizeram vomitar em cima do livro, foi um romance bem escrito. Em alguns momentos eu achava fofo, em outros eu achava irritante. Mas eu gostei do casal e torci por eles. Levi é atencioso e estava sempre pronto para ajudar Cat no que pudesse, o cara lamberia os pés dela, se ela pedisse. Cat, por sua vez, era neurótica, tinha suas encanações de adolescente normal e não conseguia descobrir o porquê de Levi, com tantas garotas bonitas e legais no mundo, havia escolhido ela para gostar, esquisita, nerd e fã de Simon Snow. E ele gostava mesmo dela, era um amor verdadeiro. E foi encantador ler as cenas dela lendo sua fanfic para ele.

O relacionamento de Cat com a família era uma loucura. Ela amava o pai e vivia sempre preocupada com ele por ele ter alguns problemas psicológicos que os deixara no hospital por várias vezes. Com a ida dela e de Wren para a faculdade, o pai ficara totalmente sozinho em casa e não sabia administrar o lado trabalho/casa. A mãe das meninas as abandonou quando eram ainda crianças, o que Cat acreditava que a tenha feito se tornar tão retraída socialmente. Cat odeia a mãe, mas Wren sente que deveria dar uma chance à mulher, que as tinha abandonado com a desculpa de que era nova demais para ter filhos. Eu acho maravilhoso o jeito como a Rainbow aborda o lado família em seus romances. Acho que é um dos fatores que me faz amá-la cada vez mais. Ler uma história que contém personagens com problemas familiares parece fazê-la ser algo mais real e algo mais perto do leitor. O relacionamento das meninas com o pai, o jeito como a mãe delas era descrita era muito real e tem muitas chances de acontecer com uma família de verdade. O relacionamento entre as gêmeas foi meio turbulento quando elas foram para a faculdade. Estava óbvio que o mundo de Wren era outro. Ela queria curtir, ir para festas, ficar bêbada e beijar caras. O que irritava Cat totalmente. Elas chegaram a brigar muitas vezes, mas o amor entre as duas sempre prevalecia. O jeito como Cat e Wren se amavam era muito bonito. E em uma cena que a Wren pede perdão à Cat foi particularmente emocionante e talvez a cena mais bonita do livro. Cat diz que não perdoa Wren e que não precisa perdoar. Elas são uma da outra, fazem parte uma da outra, são embutidas, como diz Cat.

E finalmente falando do lado escritora da Cat. A história mostrou uma autora encontrando o seu estilo. Tentando viver e escrever ao mesmo tempo, tendo que aprender a administrar isso tudo sem conseguir deixar um dos dois mundos de lado. Por muitos momentos foi difícil para Cat ter que deixar Simon e Baz de lado para ter que lidar com relacionamento, família e vida acadêmica. Ela tinha vários fãs que liam a sua história sobre Simon Snow e eles a motivavam a continuar escrevendo. Além da história de Simon, Cat tinha que escrever para um trabalho de uma matéria e foi um dos maiores desafios para a garota, pois ela achava que não conseguiria escrever algo que não fosse sobre o universo criado por Gemma. Mas a motivação que a sua professora lhe dera foi muito importante para fazê-la perceber que nem todo mundo criava um universo alternativo do nada, a maioria das pessoas escreviam sobre coisas normais, do cotidiano, sobre suas vidas e apenas davam um toque mágico àquela história, fazendo com que se tornem mais interessante e que instiguem as pessoas a lerem. Foram muitas frustrações até Cat encontrar a sua voz, o seu momento. A Rainbow escreveu a realidade de muitos autores. Cada um tem o seu tempo, cada um tem o seu estilo. Correr e forçar a mente não irá ajudar, só conseguirá criar uma história corrida e forçada, que não tem nada de especial e nem de realista. Gostei muito desse desenvolvimento da personagem.

Durante o livro é possível notar o amadurecimento da Cat. Se ela era uma pessoa insuportável no início do livro, que chorava com uma simples gozação sobre Simon e Baz que a irmã fazia, Cather se mostrou madura e inteligente no final do livro. Ela finalmente aprendeu que o seu mundo não era o de Simon Snow, mas que ela poderia perfeitamente transitar entre o mundo real e o fictício sem atrapalhar a sua vida com isso. Fangirl é uma história incrivelmente bonita e bem escrita, com personagens carismáticos e um quê de realidade aqui e ali. É o que eu amo na Rainbow, ela sabe como agradar seus leitores e sabe como deixá-los com raiva. Gostaria que a mãe de Cat tentasse um pouco mais se aproximar dela, mas acho que isso não atrapalhou a história. A escrita do livro é incrível e muito bem fluida, o leitor nem percebe que já leu o livro inteiro até chegar na última página com um sentimento de quero mais. Ler apenas dois livros dessa autora me fez conseguir identificar seu estilo de escrita até em uma lista de supermercado não assinada. Eu leria. Leria até os recadinhos que ela deve por na geladeira. Leria tudo o que ela escrevesse e irei ler suas outras obras com toda a certeza do mundo. Já posso considerar uma das minhas autoras preferidas e espero que ela ganhe todo o reconhecimento que merece, pois suas histórias são bem escritas.


Espero que tenham gostado da resenha e não deixem de ler Fangirl e todos os livros da Rainbow Rowell. Se você gosta do gênero, com certeza irá amar suas histórias. Eu fiquei com um pouquinho de vontade de ler mais sobre Simon e Baz, queria que fosse uma obra de verdade, hahaha. Mas é isso aí, super recomendo!

That's all!

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Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

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