quarta-feira, 25 de maio de 2016

Precisamos empoderar nossas mulheres



Depois que me envolvi de corpo e alma com o movimento feminista, pude ver coisas que antes nunca enxerguei. Passei a ver o mundo com outros olhos, meu pensamento sobre a sociedade e os seres humanos passou a ser muito mais crítico e a minha percepção sobre a situação de muitas mulheres aumentou. O que eu mais percebi durante esse tempo foi que as mulheres precisam muito ser empoderadas. 

Há uns tempos atrás presenciei uma situação que não saiu da minha mente até hoje. Eu estava observando um ensaio fotográfico que tinha como conceito o empoderamento feminino, a ideia de que todas as mulheres são lindas do seu jeito e que todas devem se amar. Observei uma garota retraída, que não queria ser fotografada, estava tímida e parecia querer fugir das câmeras. Depois de fazer a foto, vi que ela sentou num canto com o rosto triste. Não me recordo muito bem, mas acho que vi alguém perguntar o motivo de ela estar assim e ouvi-a responder amargamente: “eu me odeio”, e em seguida começou a chorar. Acho que nunca senti um baque tão forte ao dar de cara com algumas situações que a sociedade nos obriga a passar. Eu estava ali, do lado de uma garota que afirmava se odiar e que estava chorando porque não se sentia confortável o bastante para ser fotografada. Pensei um pouco e resolvi ir até ela. Eu sei, não deveria ter pensado duas vezes, eu tinha que ir ali dizer para ela todas as lindas palavras que ouvi e que me empoderaram. Eu não a conhecia, mas eu fui calma e expliquei algumas coisas que eu sabia. Expliquei que o tempo inteiro a gente é forçada a acreditar que não somos bonitas, não temos o corpo bom o bastante, não devemos estar satisfeitas com o nosso cabelo, nossa pele, nosso rosto... Que não somos o suficiente. Ela chorou e eu a abracei. Espero que tenha entendido e espero que isso tenha mudado algo nela. Ao vê-la com aquele sentimento, eu me lembrei de todos os momentos que chorei por me olhar no espelho e estar insatisfeita, de quantas vezes eu me odiei e achei que não era o suficiente, quantas vezes eu me modifiquei para ser aceita nos padrões. Lembrei-me de como eu me sentia horrível e de como foi uma libertação finalmente enxergar a mim mesma como linda e como suficiente. 

Esse episódio me fez pensar muito e por muito tempo. Todos os dias eu percebo algo que está errado nesse mundo e me sinto feliz por me despir das milhões de construções sociais que estão ao meu redor. Essa foi o momento em que eu percebi com mais clareza o quanto é necessário o empoderamento feminino. Recebi essa verdade nua e crua bem na minha cara, e não esqueço, foi forte, causou impacto. Sabe quando você está jogando o Jogo dos Sete Erros e finalmente encontra um que estava na sua cara o tempo todo? Foi assim que eu me senti, enxergando algo que estava ali o tempo inteiro e eu não percebi. E depois que a gente percebe, aquilo deixa de ser invisível e você passa a enxergar isso sempre. E é por isso que eu reforço o discurso que, sim, nossas mulheres precisam ser empoderadas. Elas precisam porque a sociedade é cruel, machista e misógina. Estão o tempo inteiro nos fazendo acreditar que ser gorda é feio, que ser negra é feio, que ter pelos é feio, que ter o cabelo diferente é feio... E caso a gente não aceite ser modificada para se adequar aos padrões, seremos rejeitadas e ridicularizadas.


O primeiro passo para vencermos isso é derrubar essa ideia de rivalidade feminina. Juntas somos fortes! Eu aprendi isso e tenho certeza que sem desconstruir essa ideia, eu jamais teria a empatia de me colocar no lugar da garota se odiando e nunca teria confortado ela com palavras. Precisamos nos dar as mãos e mostrar para as outras o quanto ser do jeito que elas são naturalmente é lindo. E não digo isso para as já empoderadas, aquelas que arrasam nas baladas e nos ensaios fotográficos, que não têm medo de deixar os cabelos do jeito que querem e sabem que são maravilhosas. O que eu digo para as mulheres que afirmam “causar o tombamento” é que ensinem nossas irmãs a serem assim... Livres. 

Abaixo algumas mensagens de muito amor: 







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Sobre o blog


Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

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