sábado, 14 de maio de 2016

RESENHA | Como eu era antes de você, de Jojo Moyes


Título original: Me Before You
Autor: Jojo Moyes
Ano: 2013
Páginas: 320
Editora: Intrínseca

Como Eu Era Antes de Você - Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Além disso, trabalha como garçonete num café, um emprego que ela adora e que, apesar de não pagar muito, ajuda nas despesas. E namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe. Quando o café fecha as portas, Lou se vê obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, a ex-garçonete consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto e planeja dar um fim ao seu sofrimento. O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro.
Louisa Clark é uma mulher de 26 anos, que não tem nenhuma perspectiva de vida e acaba de perder o emprego. Como era uma das poucas fontes de sustento da família, rapidamente é obrigada a ir atrás de um emprego e acaba aceitando o emprego de cuidadora de um tetraplégico. Lou gosta muito de se vestir de um jeito alegre e inusitado, fala pelos cotovelos e ama fazer chá. Além de tudo isso, ela é muito, muito desajeitada. Seus primeiros dias no novo emprego foram um fracasso. Will Traynor era mal-humorado e parecia odiá-la, assim como sua mãe Camilla. Lou vem de uma família humilde, que mal tem como se sustentar e, devido a esses fatores, ela tem que fazer de tudo para não desistir do emprego. Seu namorado, Patrick, é um obcecado por corridas e dietas e não dá muita atenção à ela, mas isso não a incomoda, os dois estão juntos há sete anos. Com o tempo, Louise descobre que o motivo de seu emprego não era para cuidar de Will e sim para animá-lo e fazê-lo recuperar o gosto pela vida. Will Traynor tentou se matar e deu aos pais um prazo de seis meses para fazê-lo. Desesperados, eles contrataram Lou para fazer o homem mudar de ideia. Diante disso, a mulher começa a pensar nisso como uma meta a ser alcançada. Faz de tudo para que Will desista da ideia de morrer. Tenta mostrar as coisas boas que a vida pode ter, mesmo com suas limitações. Planeja passeios, viagens e tudo mais e com o passar do tempo parece que ela está finalmente conseguindo. Will gosta muito dela, perto de Louise ele nem parecia o homem carrancudo que antes era. Sorria, fazia piadas e zoava muito as roupas gritantes e o jeito atrapalhado da moça.

Bom, muita gente pode ler esse livro achando que Louise está mostrando à Will o quanto a vida é bela e merece ser vivida, mesmo que algo horrível tenha acontecido, que ele agora tenha limitações e precise de ajuda para quase tudo. Ela tenta mostrá-lo que pode ter uma vida mais próxima do normal, pode se divertir, passear, viajar e tudo mais. Mas na verdade é o contrário. E tudo vai acontecendo sem que Lou perceba. Will se incomoda com o fato de Lou não ter perspectiva de vida, nenhum plano para o futuro, nenhum desejo de algo. Durante todo o livro ele a desafia para que se permita novas experiencias. Eles se apaixonam, claro. Lou só pensa em Will durante a maior parte do seu dia e na sua meta em mantê-lo vivo.

Alguns momentos chega a ser deprimente a situação de Will. As pessoas o olhavam com piedade e descaso. Muitos lugares não eram adaptados e impediam muitas coisas que, para pessoas normais, são tão simples. Mesmo a convivência com Lou e a contribuição da moça para que Will seja uma nova pessoa, mais alegre, menos hostil, Will é bastante amargo com quase tudo. Ele odeia ser limitado, odeia precisar da ajuda de outras pessoas até para comer, odeia não poder ser o jovem aventureiro que antes fora. Lou tenta mudar isso, ela quer que ele enxergue que a vida pode ser bela, mesmo que não seja do jeito que a gente quer. Mas será que pode-se mudar uma decisão que já fora tomada?

Não fiquei com raiva de Will pela sua decisão, eu me pus em seu lugar. Será que eu gostaria de uma vida dessas? Na verdade, uma coisa que me incomodou bastante foi ver Lou tentando mudar isso a qualquer custo. Claro que no lugar dela eu faria de tudo para salvar quem eu amo, mas não achei muito certo ela promover todos aqueles passeios e tudo mais para depois contar tudinho à mãe dele (sem ele saber!), como se a única coisa que importasse fosse ele mudar de ideia e vencer uma maldita aposta do que de fato fazê-lo desistir de morrer. Talvez eu tenha interpretado bem errado, mas ela ignorou os sentimentos dele. Ele estava sofrendo e ela não queria saber, queria apenas que ele vivesse, mesmo que não quisesse. Isso foi uma coisa bem triste no livro.
Apesar de tudo, foram lindas as cenas em que eles passeavam juntos. É uma verdadeira história de amor, amor puro que não enxerga nada além do sentimento. Acima de tudo, amizade. Eles eram bastante amigos e Lou não o tratava como um inválido, com pena, piedade.

SPOILER!!! 

É um livro fascinante e delicioso de ler. Confesso que não chorei nem um pouco, pois é assim que a vida é e devemos enxergá-la em sua real forma, dura. É uma história triste sim, mas sabem? Seu final (apesar de tudo) não é ruim. Mesmo que Lou não tenha conseguido salvar Will de sua terrível decisão, ela conseguiu salvar a si mesma. Se antes era uma jovem sem nenhuma ambição e nenhum plano para o futuro, no final do livro está uma outra mulher. Muito mais madura e corajosa, que está pronta para se dedicar aos estudos, expandir seus horizontes, enxergar além do que lhe é mostrado. Na verdade, Como Eu Era Antes de Você não se trata sobre salvar Will Traynor, sua decisão estava tomada independente de tudo, se trata sobre salvar Louise Clark de si mesma e de seu medo de coisas novas.

— Ei, Clark. Conte alguma coisa boa.
Olhei pela janela para o céu azul-claro da Suíça e contei a história de duas pessoas. Duas pessoas que não deviam se encontrar e que não gostaram muito um do outro quando se conheceram, mas que descobriram que eram as duas únicas pessoas no mundo que podiam se entender. Contei as aventuras que tiveram, os lugares onde foram e as coisas vistas que nunca esperaram ver. Conjurei para ele céus cheios de raios, mares iridescentes e noites repletas de risos e piadas bobas. Desenhei para ele um mundo, distante de uma área industrial suíça, um mundo onde ele ainda era, de algum modo, a pessoa que queria ser. Mostrei o mundo que ele tinha criado para mim, cheio de encantos e oportunidades. Deixei que soubesse que uma mágoa tinha se curado de um jeito que ele não podia imaginar, e que só por isso eu estaria para sempre em dívida com ele. Enquanto eu falava, sabia que aquelas poderiam ser as palavras mais importantes que diria e que precisavam ser as palavras certas, que não eram propaganda, uma tentativa de mudar o que ele pensava, mas que respeitavam a decisão dele.

Contei algo bom.

O tempo seguia lento, parado. Éramos só nós dois, eu murmurando no quarto vazio e ensolarado. Will não disse muito. Não retrucou, ou fez comentários ácidos ou irônicos. Às vezes, anuía, murmurava algo, ou emitia um pequeno som que podia ser de satisfação ou de alguma lembrança boa.

— E esses foram — falei — os melhores seis meses da minha vida.

Fez-se um longo silêncio.

— Engraçado, Clark, os meus também.

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Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

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