sábado, 25 de junho de 2016

Minhas referências no movimento negro


Quem me acompanha sabe que, além de gêneros, eu estudo também sobre o movimento negro e milito a favor do empoderamento dos pretos e periféricos e também contra o racismo. Já recebi diversas mensagens de pessoas que conseguiram entender melhor um assunto por conta dos meus textos e que se encontraram de alguma forma no movimento feminista e no movimento negro. 

Na minha opinião, para a gente abraçar uma causa e dizer que fazemos parte dela, é necessário estudar suas pautas e saber o que é defendido dentro daquele movimento, por isso estudo nunca é demais. Foram diversos símbolos, livros, textos, artigos e afins que me ajudaram a descobrir minha identidade como mulher negra e feminista, além de me dar base para falar sobre um assunto dos movimentos.  Eu fico feliz ao ler agradecimentos de pessoas (mesmo que poucas) que sentem uma iluminação mental (sim!!!) ao ler meus textos e desconstrói algo ou ajuda alguém próximo a desconstruir preconceitos a partir dos meus textos. 

Eu me reconheci há pouco tempo e foram vários fatores que influenciaram a minha descoberta. Eu ainda estudo muito sobre o movimento negro, mas gostaria de deixar aqui algumas das referências que me ajudam até hoje, seja através do empoderamento, da representatividade ou da didática. Acho que conhecer esses canais é super enriquecedor para quem está iniciando os estudos e a militância, ou para quem quer apenas se informar. 

NATALY NERI 

Nataly é blogueira, dona do canal no YouTube Afros e Afins, estudante de ciências sociais e militante do feminismo negro. Quando eu falo da Nataly, falo sobre inspiração e representatividade, foi vendo-a que passei a sentir vontade de ter minha liberdade e assumir meus cabelos naturais. Ver o seu empoderamento, seus vídeos sobre cabelo e aceitação, estética negra, etc., me fizeram ter coragem para iniciar minha transição e colocar meus dreads. Se me perguntassem quem me inspira, seu nome seria o primeiro a vir em mente, porque eu me espelho nela para muitas das coisas que faço em mim mesma. 

Acho interessante ver os vídeos da Nataly para entender algumas pautas do movimento negro, como colorismo e apropriação cultural. Sem falar que ela dá umas dicas ótimas de moda, cabelo e maquiagem. 

BATEKOO 

A BATEKOO é uma festa que busca dar voz e poder ao povo negro e periférico. A festa, nascida em Salvador, carrega um conceito fortíssimo e sua principal característica é a presença de ritmos negros cantados por pessoas negras. A BATEKOO foi a minha primeira influência na minha tomada de decisões sobre quem sou e minha liberdade. Eu sempre tive vontade de frequentar a festa e ver as fotos das edições, com tanta gente linda, negra e poderosa, sempre me deixava pensando sobre me libertar dessas tentativas de me encaixar no padrão eurocêntrico. Só que eu nunca tive coragem porque tinha medo da família, da sociedade e de mim mesma. Foi um grande exercício desconstruir essas ideias e dar a cara a tapas. Então numa certa edição, vendo as fotos e a energia da galera, foi quando tomei a decisão de me libertar, me assumir negra e iniciar minha transição capilar, falar sobre racismo e bater de frente com todos esses preconceitos. Logo no mês seguinte eu fui numa edição da festa e senti de perto a energia e o sentimento de representatividade. Foi o que eu disse a um dos produtores da festa: "eu me sinto em casa". Eu disse, e disse emocionada, porque eu realmente me senti em casa. Durante grande parte da minha vida eu estava rodeada pelos espaços que marginalizavam os negros e sua cultura, então ver aquilo tudo foi libertador. 

AFROPUNK 

Outra referência de estética que tive foi o Afropunk, que é o movimento negro nos cenários alternativo e punk. Vez ou outra eu via em meu feed nas redes sociais um compartilhamento da página Afropunk e fui pesquisar. Descobri que tinha até um festival e me interessei muito pela estética, música e comportamento. É mais um canal de inspiração e força que tenho, e que me faz enxergar o quão bonita é a cultura e estética negra. 










Site >> Link

KAROL CONKÁ 
Karol Conká é uma rapper brasileira que compõe músicas falando sobre mulheres e negros. Ponho a Karol aqui como referência com o mesmo conceito de representatividade que tenho da Nataly. Suas músicas me empoderam e seu rosto me faz sentir representada. 

BEYONCÉ 
Beyoncé, apesar de ser um produto da indústria que se mostra cada vez mais eurocêntrica, é uma grande referência para mim. Eu já curtia suas músicas antes e sempre percebi um recorte de gênero aqui e ali, mas atualmente vê-la se declarar feminista e negra nesse meio tão racista e machista me fez admirá-la e ouvir suas músicas com um pouco mais de admiração pela sua arte. 

BLOG FRIDA DIRIA 

O Frida Diria foi um dos primeiros blogs sobre feminismo que li e ponho aqui como referência minha no movimento feminista negro, pois muitas de suas pautas são direcionadas às mulheres negras e periféricas. Muitos textos me ajudaram a compreender certas coisas, principalmente sobre hiper sexualização da mulher negra, apropriação e afins. Os textos não são direcionados somente às mulheres negras, entretanto, uma das colunistas tem uma preocupação a mais com esse recorte, pois é necessário focar as pautas também para as negras, as que estão à margem e não têm acesso algum ao feminismo. 

BLOG BLOGUEIRAS NEGRAS 

O Blogueiras Negras foi também um canal que me ensinou bastante coisa do que sei sobre o movimento negro. O blog é totalmente voltado às mulheres negras e busca falar bastante sobre cultura e resistência. É interessante acompanhar quem procura um site que dá atenção total às mulheres negras. 

GELEDÉS INSTITUTO DA MULHER NEGRA 

O Geledés é bem mais conhecido e tem pautas mais didáticas, que se posicionam a favor das mulheres e dos negros, além de se preocupar também com o combate à homofobia, lesbofobia, preconceito de raça, de credo, de região e outros. O Geledés desenvolve também projetos sociais e em parceria com outras instituições de defesa da cidadania. É interessante para quem busca conteúdo sobre as questões raciais, de gênero, educação, comunicação, saúde e outros. 

ARTIGOS E PUBLICAÇÕES

Vou deixar abaixo o título (e link, se disponível) de alguns artigos e publicações de sites e blogs que ajudaram nos meus estudos. 

ENEGRECER O FEMINISMO: A SITUAÇÃO DA MULHER NEGRA NA AMÉRICA LATINA A PARTIR DE UMA PERSPECTIVA DE GÊNERO, de Sueli Carneiro (fundadora e coordenadora executiva do Instituto Geledés). 

O MOVIMENTO NEGRO NO BRASIL: SUAS LUTAS E CONQUISTAS >> Link

A CULTURA NEGRA É POPULAR, MAS AS PESSOAS NEGRAS NÃO >> Link

VAMOS FALAR SOBRE APROPRIAÇÃO CULTURAL >> Link

PARA ESCLARECER: APROPRIAÇÃO CULTURAL >> Link

COLORISMO: O QUE É, COMO FUNCIONA >> Link

CORES E VALORES: PRECONCEITO FENOTÍPICO, LUGARES SOCIAIS E DE FALA >> Link

SOBRE OS MEUS CABELOS CRESPOS >> Link

O PAPEL DO NEGRO NA TELEVISÃO BRASILEIRA >> Link

EM DEFESA DA TOLERÂNCIA RELIGIOSA EM NOSSA SOCIEDADE >> Link

Vídeo: Vamos falar sobre: APROPRIAÇÃO CULTURAL >> Link

Vídeo: Colorismo, ser negro e os 3 mitos da mulher negra >> Link

Vídeo: Empoderamento, Negras Que Alisam O Cabelo e Feministas Maquiadas >> Link

Vídeo: Autoestima, Identidade e Feminismo Negro >> Link

Vídeo: Conversando sobre feminismo negro >> Link

Vídeo: FEMINISMO NEGRO E PIZZA >> Link

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Sobre o blog


Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

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