sexta-feira, 17 de junho de 2016

RESENHA | Garoto Encontra Garoto, de David Levithan




Título original: Boy Meets Boy
Autor: David Levithan
Editora: Galera Record
Ano: 2014
Página: 240


Nesta mais que uma comédia romântica, Paul estuda em uma escola nada convencional. Líderes de torcida andam de moto, a rainha do baile é uma quarterback drag-queen, e a aliança entre gays e héteros ajudou os garotos héteros a aprenderem a dançar. Paul conhece Noah, o cara dos seus sonhos, mas estraga tudo de forma espetacular. E agora precisa vencer alguns desafios antes de reconquistá-lo: ajudar seu melhor amigo a lidar com os pais ultrarreligiosos que desaprovam sua orientação sexual, lidar com o fato de a sua melhor amiga estar namorando o maior babaca da escola... E, enfim, acreditar no amor o bastante para recuperar Noah!
Bom, gente! Eu li Will & Will, do David com o John Green, e fiquei maravilhada com a história, apesar de não ter curtido muito a personalidade do Will gay. Quando eu descobri que o David escrevia sobre a temática LGBT, fiquei encantada e curiosa para saber mais sobre as histórias dele. Foi então que conheci Garoto Encontra Garoto. 

Paul vive numa cidade diferente e estuda numa escola também diferente. Há uma aliança entre os gays, héteros e bissexuais da escola, que inclusive contém personagens inusitados como uma quarterback drag-queen. Paul conhece Noah e se apaixona por ele, porém faz uma burrada e perde o boy magia. Enquanto isso, Paul se vê perdendo sua melhor amiga para um novo namorado otário e tenta ajudar seu amigo a desafiar seus pais super religiosos a aceitarem sua sexualidade. 

Sinceramente, quando eu li a sinópse achei pouco atraente. Uma drag-queen que também é quarter back? WTF? Aliança entre gays e héteros? Parece utopia. Mas sim, David Levithan conseguiu criar esse universo de uma forma que deu um pouco de humor aos personagens e às situações. Confesso que odiei muitão o Paul, tinham momentos em que ele fazia coisas que me davam nos nervos. A amiga dele - tão cretina que esqueci o nome - se mostra uma pessoa fraca, daquele tipo que abandona os amigos quando conhece um namorado babaca. Sobre Infinity Darlene, há uma ideia interessante por trás do personagem, mas simplesmente não consegui gostar, ficou algo bem chato e forçado. Porém, confesso que o epílogo dela foi ao mesmo tempo fofo e irritante. 


De um modo geral, adorei a escrita do David. Já tinha percebido o potencial do autor em Will & Will e ele me surpreendeu ainda mais em Garoto Encontra Garoto. O livro foi bem tranquilo de ler, fluiu muito bem e os finais dos capítulos deixavam um 'quê' de curiosidade para ler os próximos. As cenas românticas entre Noah e Paul foram as mais lindas. Não posso deixar de mencionar o capítulo "Pintando Música" que vai entrar na minha lista dos mais emocionantes que já li. O universo que Levithan criou serviu para imaginar como seria um mundo onde as pessoas não se importassem muito com a sexualidade dos outros, mesmo isso sendo apenas naquela cidade. O autor consegue trazer empatia ao leitor, mesmo que este não seja gay ou bi, simplesmente  porque os personagens que ele criou têm sentimentos como uma pessoa qualquer, isso ressalta o fato de que somos todos iguais. 


Com toda a certeza do mundo, recomendo o livro à todos aqueles que se interessam em livros que contenham a temática LGBT, sério, vocês vão se surpreender! O universo, o gênero e os personagens fizeram um conjunto harmonioso na obra e fazem o leitor se apaixonar, ler e nem perceber quando já está no final do livro! 


Quotes de Garoto Encontra Garoto


"— Apenas escute a música e pinte. Siga o som. Não pense em regras. Não se preocupe em fazer perfeito. Apenas deixe a música te levar. — Mas e as instruções?— Não existem outras instruções. Ele anda até os alto-falantes e os liga na parede. A música começa a entrar no aposento como um aroma perfumado. Um piano soa em uma cadência de jazz. Um trompete começa a tocar. E então, a voz, uma voz maravilhosa começa a cantar. "There's a somebody I'm longing to see..."(...)— Não se perca nas palavras — diz Noah, pronto para pintar. — Siga os sons. A princípio não sei o que isso quer dizer. Mergulho o pincel em um roxo aveludado. Levo até a tela e escuto a música. A voz de Chet Baker é sinuosa, flutuante. Encosto o pincel no papel e tento fazê-lo voar em sincronia com a música. Mexo-o para baixo e para cima. Não estou pintando uma forma. Estou pintando a melodia."

"Sei que Tony ainda vai para a clareira de vez em quando, para pensar ou sonhar. Faço um cumprimento silencioso sempre que passamos por ela. Nunca nos sentamos lá juntos. Eu não quero invadir a solidão dele; quero estar perto quando ele decidir sair dela."
 "Vou andando para casa. Apesar de meu casaco ser grosso, eu tremo. Apesar de estar silencioso na rua, minha cabeça é só barulho."

"Alguém trouxe um rádio, e estamos dançando conforme as melodias se espalham no ar. Somos iluminados por lanternas e velas. Carregamos cigarreiras de nossos avôs e as pulseiras de nossas avós. Somos jovens, e a noite é jovem. Estamos no meio de algum lugar e estamos sentindo tudo. A terra é nossa pista de dança. As estrelas são nossa decoração elaborada. Dançamos com entrega, só existe a felicidade para nós aqui. Giro Amber em um tango, e nós inventamos os passos durante a dança. Tony e Kyle estão dançando ao nosso lado. Felizes. Rindo. 
Nesse espaço, nesse momento, somos quem queremos ser. Tenho sorte, porque para mim isso não exige muita coragem. Mas, para outros, é preciso um mundo de coragem para ir até a clareira."

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Sobre o blog


Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

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