quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Deixa a mulher falar!



Que nós, mulheres, não temos voz na sociedade, não é novidade pra ninguém. Mas será que sempre (ou na maioria das vezes) conseguimos identificar quando isso ocorre? Somos tão silenciadas que passamos a aceitar essa condição sem nem perceber, e os homens, claro, se aproveitam disso para roubar nossa voz e nossas falas. 


É por isso que hoje eu venho falar de mansplaining

Para quem não sabe, o mansplaining é a mania que os homens têm de interromper quando uma mulher fala ou explicar uma coisa bem simples de uma forma supondo que a mulher não tenha inteligência o suficiente para entender aquilo sozinha ou sem explicações muito paternalistas. 

Eu vejo isso o tempo inteiro. Quando as mulheres falam, ninguém dá atenção. Podemos passar várias décadas gritando e exigindo algo que deveria ser nosso por direito e ninguém nos ouve, mas basta um homem bem politizado e correto falar exatamente a mesma coisa que falamos há tempos que ele é ouvido, ovacionado e parabenizado pelo seu grandioso gesto de preocupação com as mulheres na sociedade. 

Depois que eu entrei na faculdade foi que minhas leituras sobre o feminismo se tornaram mais assíduas, então foi o momento que eu identifiquei mais essas pequenas coisas que não percebemos, mas que sempre incomodou. Nas salas de aula os debates entre os alunos são muito comuns, principalmente no meu curso, e isso contribui para o fluxo da aula. Entretanto, é incrível como os homens são pouco sutis ao interromper as mulheres e até supor que sabem mais do que elas, inclusive num assunto que nós sabemos mais do que ninguém, os nossos direitos. Quando uma mulher levanta a mão para falar no meio da aula, não recebe a mesma atenção que um homem, ou sua fala é completada por "acho que ela quis dizer isso e aquilo", como se fôssemos pouco entendíveis ou incompletas em nossas falas. 

Em debates, programas, entrevistas e demais espaços onde temos a oportunidade de falar, é mais comum do que se parece a prática do mansplaining. Passei a analisar programas de televisão e é incrível a frequência com que esse tipo de coisa ocorre. 

Mas daí vem a dúvida: qual a dificuldade em nos deixar falar?! Eu sei que deve ser muito difícil para o ego masculino não ser sempre o centro das atenções. Porém não mata deixar uma mulher falar. Temos muito dizer e devemos ter em mente que, sim, nós temos este direito

Quando um homem nos interromper, sejamos educadas e mostremos que o lugar é nosso e que também vamos falar. E se for preciso, vamos gritar! Nada de homem roubando nosso lugar. Não mais. 


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Sobre o blog


Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

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