sexta-feira, 25 de novembro de 2016

RESENHA | Selva de Gafanhotos, de Andrew Smith


Na pequena cidade de Ealing, Iowa, Austin e seu melhor amigo, Robby, libertam acidentalmente um exército incontrolável. São louva-a-deus de um metro e oitenta de altura, completamente tarados e famintos. Essa é a verdade. Essa é a história. É o fim do mundo e ninguém sabe o que fazer.
Com todos os elementos obrigatórios de um romance apocalíptico, Selva de gafanhotos mistura insetos gigantes, um cientista louco, um fabuloso bunker subterrâneo, um mal resolvido triângulo amoroso-sexual e muita, muita confusão, e está longe de tratar apenas do fim do mundo.
Engraçado, intenso e complexo, o livro fala de um jeito inovador de adolescência, relacionamentos, amizade e, claro, de temas um tanto mais inusitados, como testículos dissolvidos e milho modificado geneticamente. Um romance surpreendente sobre a odisseia hormonal, amorosa e intelectual que é essa fase da vida.

Austin é descendente de poloneses e mora em uma pequena cidade de Ealing, Iowa. Sua vida se resume à fumar cigarros com seu amigo Robby e sair com sua namorada Shannon.  Tudo na sua vida muda quando ele e Robby decidem ir ao telhado do prédio do shopping da cidade para pegar alguns pertences e acabam aproveitando o momento para bisbilhotar a loja onde Austin trabalha. Lá eles encontram coisas estranhas e inusitadas, até assustadoras. O fim do mundo começa quando eles decidem ir embora assustados e presenciam um ladrão derrubando o globo luminoso que levava consigo e o conteúdo acaba se misturando a sangue humano. 

Selva de Gafanhotos tem vários momentos em sua narrativa. Tem horas que a leitura é chata e cansativa, porém tem horas que o leitor engata e não quer parar mais, até voltar ao lenga-lenga que deixa a história chata novamente. A trama flui bastante já no final, quando os louva-a-deus estão destruindo tudo e há um pouco de ação. O início e meio da história prefere mostrar os diversos personagens (muitos inúteis e sem necessidade) existentes e a rotina do personagem principal, e com isso o autor mostra bastante as descobertas de Austin com relação à sua própria sexualidade e ao que sente pelo melhor amigo. 

A história se nutre com uma narrativa superficial, muitas vezes com linguagem exagerada, sem a pretensão de provocar nada em especial ao leitor e a forma como os vilões são retratados chega a ser bizarra: são louva-a-deus gigantes que só comem e trepam. A obra é um mix de elementos estranhos, esquisitos e fora do comum, e é aí que chegamos ao ponto. Selva de Gafanhotos foi criado exatamente para ser uma história impossível, uma coisa esquisita, que as pessoas não conseguem entender com facilidade, causa estranheza. E, apesar de conter vários pontos que me desagradaram, esse é o ponto forte do livro: a bizarrice. É algo que tira o leitor da zona de conforto e o convida a pensar fora da caixa, a ver algo esquisito sendo tratado de forma natural. Então, apesar de superficialidade na história, diálogos vazios, final mal terminado e o fato de ser uma produção que possui muitas fraquezas, Selva de Gafanhotos pode agradar o leitor que busca apenas e somente o entretenimento, sem grandes exigências. 

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Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

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