sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

CRÍTICA | 3% - 3 por cento



Finalmente assisti 3%, a primeira série nacional produzida pela Netflix. A série está sendo bastante falada por todos os cantos da internet. Tem gente amando, tem gente odiando e gente que achou mais ou menos. 3% estreou e consigo veio uma tonelada de críticas positivas e negativas, muitas até irrelevantes, pois se tem uma coisa que brasileiro sabe fazer, é criticar as produções nacionais. Mas vamos lá! 

3 por cento, ou 3%, é uma série brasileira de ficção científica que se passa em um mundo no qual todas as pessoas, ao completarem 20 anos, podem se inscrever para um processo seletivo que os levará a um "novo mundo", cheio de oportunidades e promessas de uma vida melhor. Apenas 3% das pessoas são aprovadas para ingressarem nessa área, mas, até lá, um processo bastante cruel é imposto aos candidatos.

3% nasceu originalmente em 2011 como um piloto publicado no YouTube e depois de então a Netflix decidiu produzir a série. 

Iniciei a maratona da série logo quando começaram os comentários para todos os lados. Foram muitas opiniões divergentes e eu quis ver com meus próprios olhos, principalmente por ser a primeira produção totalmente brasileira da Netflix. É importante falar que vivemos uma época muito boa no cinema nacional. Tivemos ótimas produções de qualidade e que ganharam repercussão internacional e 3% não poderia surgir num momento mais oportuno, com a ascensão dessas produções e dos serviços da Netflix

Gostei bastante da série por se tratar de um tema que eu simpatizo bastante. Distopia é um gênero muito interessante de se trabalhar, pois traz ao público um olhar mais crítico da nossa sociedade, e, por falar em crítica, 3% tem de sobra. O Maralto é o objetivo da maioria dos jovens, pois é a esperança de uma vida melhor já que neste mundo, quem vive fora d'O Outro Lado tem uma vida muito escassa e pobre. Por isso, no processo seletivo, que já exige bastante esforço dos candidatos, muitos deles apelam para a desonestidade e traição. O processo seletivo tem diversas provas que testam o comportamento dos candidatos e mostram como a sociedade funciona, onde há sempre pessoas que querem o poder a todo custo, podendo até cometer assassinatos por isso. 

Me surpreendi com a estética da produção. Querendo ou não o Brasil tem uma estética própria muito peculiar de produzir filmes e séries, é uma coisa mais desordenada, a maioria com a fotografia mais escura. Mas 3% possui uma fotografia bem limpa e clara, utilizando muitas vezes da estética minimalista, mostrando organização e a presença constante do branco. Isso é nítido no comportamento dos personagens e na organização do cenário. Isso é notável também pela presença da tecnologia. Os universos distópicos usam bastante tecnologia e 3% mostrou que tem isso de sobra. A trilha sonora muitas vezes deixou a desejar, mas apesar de fraca, ela se mostra presente em alguns momentos chave, dando um gás a mais no público, gerando uma ansiedade e tensão maior na hora das provas e afins. 

No geral, 3% é uma ótima série, com todas as ressalvas. Não se trata da história mais original do mundo, mas contém ótimas críticas sociais e é eficiente em atrair o público. Quem espera uma superprodução poderá se decepcionar. Mas a série agrada aqueles que geralmente curtem distopias e também a quem esperou bastante por uma produção brasileira feita pela Netflix, que atualmente é mestre em agradar o público fã de séries. É importante que tenham em mente que a série se trata de um pontapé inicial das produções nacionais. Ainda não se trata da melhor coisa do mundo, mas já é uma ótima conquista. 

Nota: 8,5/10

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Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

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