terça-feira, 20 de dezembro de 2016

CRÍTICA | Chewing Gum


Há uns tempos atrás, a youtuber Nátaly Neri indicou Chewing Gum no Twitter. Fui buscar saber mais sobre a série e me interessei pelo conteúdo, além de me recordar de alguns gifs que aparecem vez ou outra no Tumblr

Chewing Gum é uma série de comédia britânica do canal E4, do Reino Unido, e que atualmente está sendo distribuída como série original da Netflix. Protagonizada por Michaela Coel, a série segue Tracey, uma jovem de família evangélica que está tentando perder a virgindade. A sitcom* foi lançada oficialmente em outubro de 2015 e já foi premiada pela Royal Television Society Awards e pela British Academy Television Awards.

O primeiro fator que me fez sentir interesse pela série foi o fato de ser protagonizada por uma mulher negra. Em meio a falta de filmes e séries sendo protagonizado por negros, de uns tempos pra cá, eu passei a dar uma atenção e prioridade maior a essas produções. 

No início achei que ia ser uma trama meia-boca e sem graça, como as milhares de comédias românticas protagonizadas por personagens mulheres que querem perder a virgindade. Mas me surpreendi logo no primeiro episódio que conseguiu me arrancar muitos risos. As piadas da série são bem leves e utilizam muitas situações cotidianas de mulheres jovens, principalmente. Chewing Gum gira em torno da história de Tracey, mas consegue descrever tão bem o jeito de cada personagem com uma precisão muito boa em tão pouco tempo. 

Explicando a situação, Tracey namora há seis anos um homem evangélico que recusa qualquer contato minimamente íntimo antes do casamento. E Tracey, mesmo sendo de família evangélica, já está de saco cheio de tudo isso e doida para perder a virgindade. Após a recusa do namorado em lhe dar um beijinho sequer, ela termina com ele e conhece Connor, um poeta atrapalhado que não tem emprego e vive com a mãe. Confesso que passei grande parte da temporada odiando Connor por causa de um comentário racista feito no primeiro episódio da série. Mas sem spoilers. 

Agora chegamos na parte da problematização, porque sem isso não seria euzinha. A série aborda muitos temas polêmicos e pouco explorados, os famigerados tabus. Chewing Gum aborda a questão do machismo, racismo e relações inter-raciais de uma forma muito natural e engraçada. Além dessas questões, outras também pouquíssimo exploradas como dependência química, desigualdade social, a questão da religião e até o BDSM. Vale destacar que Tracey é uma mulher negra e periférica que passa por diversos perrengues pra encontrar emprego e, por ser de família religiosa, sofre também a rejeição por ter se afastado de algo que não acredita. 

Super indico a série a todos que eu conheço, pois é super engraçada e imprevisível. O elenco é incrível e talentosíssimo, além de os episódios serem curtinhos (22 minutos), então dá pra fazer aquela querida maratona em apenas uma tarde. É uma delícia de ver!


*Sitcom é um formato de série de comédia que aborda situações engraçadas que são cotidianas. 

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Sobre o blog


Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

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