sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

PAPO AFRO | Entrevista com a cantora e bailarina Nara Couto



Nara Couto é uma artista baiana que começou como bailarina e que, atualmente, se expandiu para o universo do canto. Especializada em Dança Afro Contemporânea, é nas raízes ancestrais que ela retira a sua inspiração. Este ano ela acabou de lançar o primeiro single, "Linda e Preta", com videoclipe dirigido por Lázaro Ramos e Elísio Lopes Jr. Interpretada em seu show "Outras Áfricas", o clipe foi lançado no Katuka Africanidades (Praça da Sé, em Salvador) com direito a pocket show da cantora. 

Em "Linda e Preta", Nara valoriza a estética negra, especialmente a beleza da mulher negra, que sempre teve problemas com autoestima, por nunca ter estado presente nas capas de revista e até hoje é excluída do padrão de beleza majoritariamente branco. O clipe se passa nas ruas do Curuzu, em Salvador, palco de concursos de beleza negra e onde reside a Associação Cultural Ilê Ayê, tão importante para a cultura afrobrasileira

Nara Couto conversou um pouco com o Ashismos e vocês podem conferir a entrevista na íntegra abaixo: 

Em seu single, “Linda e Preta”, você traz alguns elementos diferentes do que outros artistas contemporâneos, que se propõem a falar sobre negritude, costumam trazer. Quais são as suas influências?

Tenho em mim o conceito de arte muito amplo. Minhas principais referências para construir um conceito musical são inspirações que estão nesse mundo para nos inspirar, resinificando, recriando e construindo caminhos novos para que possamos, com liberdade, escolher qualquer caminho. Essas pessoas são: a ativista e estilista Carol Barreto, a socióloga e ativista Vilma Reis, a Jornalista Maíra Azevedo, o Professor e coreografo Zebrinha, a diretora curadora Diane Lima, minha avó Dona Lindaura, Diretor Elisio Lopes Jr, a escritora Ana Maria Gonçalves, o Atores Lázaro Ramos e Taís Araujo, e muitos outros.

No Brasil há uma cultura muito forte em valorizar mais o que é de fora e acabar esquecendo-se um pouco dos artistas locais. Como você acha que pode atingir o público brasileiro e fazê-los ouvir sua voz e o que você tem a dizer?

Sempre penso em trazer a essência que me traduz para a cena, não existe uma receita pronta para o artista atingir o público, sinto que trazer comigo a minha essência, a minha verdade, trará bons resultados. Sigo esse caminho não só na música mas em qualquer área artística em que eu atue. 

Seu trabalho traz uma mensagem importante, não só de valorização da beleza negra, mas também da representatividade feminina. Como você se sente ao saber do impacto que a sua música pode causar na vida de tantas mulheres negras?

Uma felicidade sem fim! Sempre recebo videos de crianças cantando "Linda e Preta" e pessoas que me marcam nas suas vidas diárias com a hashtag #LindaEPreta. Minha oração é que nossas inspirações sejam renovadas diariamente entre nós, para seguirmos fortalecidos, então me alimento disso. Fico feliz de também ser essa inspiração para outras mulheres. 

Como sua experiência com a dança te ajudou a construir essa nova fase?

Trazendo as palavras de Seu Mateus Aleluia, "nós somos filhos do canto e da dança". A dança tem tudo a ver com a  minha música, o movimento foi o início da minha fonte de pesquisa sobre quem foram os ️meus ancestrais, quem eu sou e para onde eu vou. O movimento me fortalece, sinto a música de outra maneira, essa sou eu! 


Quais são os seus projetos para 2017?

Começarei um projeto de Vídeo-Dança, tratando da ressignificação da ancestralidade e  uma curta temporada de show em março em Salvador e abril em São Paulo, o resto é surpresa. 


A Bahia sempre foi o berço de grandes artistas reconhecidos por todo o Brasil. Em qual artista baiano você aposta e indica para o público?

Salvador é o berço da criação, tem tanta gente talentosa! Minhas inspirações são principalmente as mulheres, elas trazem um olhar totalmente delas em seus trabalhos como Maria Bethânia,  Dani Nascimento, Marcia Castro, Virginia Rodrigues, Larissa Luz, Manuela Rodrigues, Luedji Luna, Bruna Barreto, Mariela Santiago, e os cantores que também tem toda a minha admiração, Seu Mateus Aleuia, Gilberto Gil, Lazzo Matumbi,  Carlinhos Brown, Tigana Santana e Dão. 


Gostou? Não deixe de ouvir "Linda e Preta" no Spotify. Veja o clipe abaixo: 

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Sobre o blog


Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

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