sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Toca meu disco #1 Baiana System


Estamos inaugurando agora a coluna Toca meu disco, que irá falar sobre música e seus diferentes estilos. Vez ou outra estarei trazendo algumas reviews de álbuns novos e antigos e apresentando alguns artistas interessantes que andei ouvindo por aí. 

Hoje irei falar de uma banda que eu conheço desde o início do ano passado, porém nunca me aventurei a escrever sobre. Aproveito agora para falar sobre o Baiana System e toda a arte que eles trouxeram para a nova música baiana. Estamos em fevereiro, no mês do carnaval, e é uma ótima oportunidade para apresentá-los às pessoas que ainda não conhece. 

Costumo defini-los como um "pagode gourmetizado", mas vai muito além dessa pobre definição. A guitarra baiana diz muito sobre a banda, inclusive o nome surgiu da junção com o sound system, que são sistemas de som criados na Jamaica

A banda deixa em evidência suas influências em elementos do axé e música africana. Inclusive, eles inovam ao trazer uma nova roupagem à essas características mais antigas. A guitarra baiana é um instrumento de forte presença em suas músicas e percebe-se uma inclinação muito mais forte para o carnaval. Mas engana-se quem acha que a banda só faz sucesso em época de folia, muito pelo contrário, por onde passa o Baiana System traz junto um público fiel, que entende e repassa suas mensagens presentes nas letras de músicas. Temas sociais são muito utilizados, inclusive, recentemente foi divulgada a inédita "Invisível", que diz muito sobre a invisibilidade das minorias na sociedade. Junto à letra marcante, eles incluem um samba-reggae dançante e animado. 

É inegável que a época de ouro do Baiana System é o carnaval, época para pular bastante e passar uma mensagem necessária e ao mesmo tempo animar o público. É interessante toda essa mobilização da banda, que traz a folia, mas também traz reflexão e responsabilidade social. O meio artístico é muito mais sobre isso do que qualquer outra coisa. 

Integrantes do Baiana System
Foto: Reprodução.

A banda integra Russo Passapusso, Roberto Barreto, SekoBass e Filipe Cartaxo. Eles possuem dois álbuns de estúdio, Baianasystem (2010) e Duas Cidades (2016), e um EP, Pirata (2013). Eles contam também com a colaboração de diversos músicos e produtores, que agregam bastante na sonoridade da banda. O disco mais recente, Duas Cidades, foi bastante elogiado pela crítica e trouxe mais visibilidade para a banda, tanto na cena independente de Salvador (que já era forte) quanto na mídia. O álbum também traz uma das músicas mais famosas da banda, "Playsom", que inclusive participou da trilha sonora do jogo Fifa 2016

As artes gráficas do Baiana System ficam por conta do integrante Filipe Cartaxo
Foto: Reprodução


Vale citar também que as artes gráficas do Baiana System são muito boas e bem elaboradas. Essas ficam por conta do integrante Filipe Cartaxo, que é também responsável pela fotografia e vídeo da banda. Nos gráficos estão bastante presentes a cor azul e cinza e trazem formatos e ilustrações que remetem à máquinas e linguagens de sistema. As famosas máscaras aparecem como um elo com o público, comunicando-se como se fossem parte deste sistema. 

É possível perceber a qualidade da arte que o Baiana System faz. Eles alcançam um patamar muito diferente de outras bandas contemporâneas, tanto na linguagem visual e sonora quanto nas letras. Eles chegaram trazendo uma nova proposta para a música baiana e carregam consigo a bandeira da Bahia, com orgulho e satisfação. É incrível ter uma banda como esta no cenário baiano, trazendo, além de cultura e diversidade, visibilidade e mostrando que a música da Bahia vai muito além do que pressupõem. 





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Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

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