terça-feira, 4 de julho de 2017

Uma conversa sobre colorismo

Foto: Essien Akan


Para entender como funciona o colorismo precisamos observar como o racismo é estabelecido aqui no Brasil. Por exemplo, nos Estados Unidos, o racismo vem de origem; ou seja, você já é considerado negro se tiver um ascendente que seja negro. Já no Brasil, quanto mais retinta for a pele preta, mais racismo o indivíduo sofrerá. E aí chegamos na questão do colorismo

Para debater questões raciais, é necessário ter consciência da pluralidade negra. Deve-se ter em mente que a negritude não é cor de pele. Apesar de a sociedade definir o grau de racismo sofrido através da cor de pele, a negritude vai muito além disso. É através dos traços, como o cabelo crespo, os lábios mais cheios, o nariz mais largo

Por isso, negros de pele mais clara e mais escura sofrem racismo de diversas maneiras diferentes, apesar de muitas vezes essas opressões se relacionarem. Existe um grande problema em torno desse assunto. Isso pois muitas pessoas negras nunca se reconheceram como tal por conta da tonalidade de pele mais clara. Muitas vezes essas pessoas são lidas como brancas pela sociedade, porém ainda sofrem um racismo mais velado, não por conta da cor de pele, mas pelos traços negroides

Esses negros de pele mais clara acabam possuindo alguns privilégios que não existem para um negro de pele mais retinta, por exemplo. Isso não é algo ruim, mas entra em outra questão que deve vir junto com essas discussões: o espaço de fala. Discutir sobre espaço de fala é reconhecer que enquanto negros de pele clara, esses indivíduos possuem privilégios e por isso devem respeitar a fala dos negros de pele escura que sofrem o racismo mais pesado. 

A autodeclaração é importante para que os negros de pele clara se reconheçam e reafirmem a sua negritude, sinta orgulho de sua ancestralidade e esteja lado a lado com os outros irmãos pretos, mas sem retirar o espaço de fala de ninguém, respeitando sempre a pluralidade de nosso povo. É indispensável reconhecer os próprios privilégios para que haja um debate justo e somar ainda mais na luta.


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Sobre o blog


Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

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