quarta-feira, 27 de setembro de 2017

RESENHA | Esú, de Baco Exu do Blues

Capa do álbum
(Foto: Divulgação)
Baco Exu do Blues é um rapper baiano que ganhou notoriedade recentemente com a música polêmica "Sulicídio". Agora ele está de volta com o seu trabalho em "Esú" e já chega com potencial para ser o disco do ano. 

O que chama atenção para o álbum, logo de cara, é a capa. Com fotografia de Matheus Aragão, a capa do disco traz uma foto de Baco com os braços abertos, em frente a uma igreja. Logo em cima é possível ver a palavra “JESUS”, com a primeira e última letra riscada, dando origem ao título, “ESÚ”, que significa “Exu”. Vale lembrar que a capa foi o que causou as principais polêmicas em torno do disco. Foram muitos comentários odiosos e intolerantes, quando na verdade o próprio Baco diz que as pessoas deveriam enxergar o “Exu” dentro de Jesus. 

Fotografia para o álbum
(Foto: Divulgação)

A fotografia, título e arte de capa foram uma sacada perfeita para descrever o real conceito do álbum. As letras têm um caráter muito autobiográfico e quando se entende a história do orixá é que elas parecem fazer ainda mais sentido. 

Foi interessante entrar em contato com o rap que fala sobre sentimentos. A maioria das letras trazen relatos bem íntimos, falando de sentimentos, como alegria e tristeza. Dentre as temáticas estão: sexualidade e paixão, com “Te Amo Disgraça”, de longe a música mais comentada pelo público; depressão e suicídio com a forte “En Tu Mira”; e liberdade e coragem unidas à elementos da literatura em “Capitães de Areia”. 

Diogo Moncorvo, conhecido como Baco Exu do Blues
(Foto: Divulgação)

Baco evidencia a questão da humanidade e divindade, sendo Exu o orixá mais humano de todos. “Metade homem, metade deus”, como diz a faixa que dá título ao álbum. Inclusive ele comenta em entrevista ao portal Correio Braziliense que “Exu carrega todo o sentido da dualidade da vida, de conviver entre o alto e o baixo”, e é essa essência que ele carrega no trabalho em Esú, mostrando liberdade e prisão ao mesmo tempo. 

Com esse trabalho, Baco mostrou para o que veio. Ele deixa clara a sua identidade e o fato de que tem muito conteúdo para trabalhar. Para Flávio Mello, 21 anos, "é legal ter um cara como Baco na cena, pelo pertencimento, por ser de Salvador. Além dele trazer elementos bem característicos daqui nos versos e na forma de cantar".

O mais incrível é que, com Esú, Baco traz mais uma vez visibilidade para o rap baiano

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Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

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