sexta-feira, 6 de outubro de 2017

GIANTS: A justiça pode ser cega, mas enxerga cores muito bem

Saiba como foi o lançamento de “Giants” e bate-papo com a equipe da série

David Wilson, um dos produtores da série; Flávio Gonçalves, diretor geral do IRDEB; e Bruno Almeira, tradutor e um dos responsáveis por trazer a série para o Brasil
Foto: Rosalvo Neto

Abordando temas como racismo institucional, homofobia e transtornos psicológicos, Giants chega ao Brasil exibida com exclusividade pela TVE, a partir desta segunda-feira (09), às 21h. O lançamento da série aconteceu na Saladearte Cinema do Museu, no Corredor da Vitória, com a exibição do primeiro episódio e um bate-papo com a equipe, inclusive em conferência com o diretor e protagonista James Bland

O lançamento 


Antes da exibição foi notável a animação do público. Ali no pátio do Cinema do Museu, foi possível interagir com os produtores, trocar papos e até mesmo tirar dúvidas sobre a série. As expectativas do público estavam altas, é o que demonstra o professor Denie Soares, 32 anos, “Eu acho que a gente precisa se ver nas telas. Tudo o que temos na televisão é bem branco e preto está sendo muito estigmatizado sempre. Agora podemos ver algo diferente e que vai nos empoderar”. 

Flávio Gonçalves, diretor geral do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), ressaltou a importância de um conteúdo com protagonismo negro na televisão pública da Bahia e do Brasil. “A TVE da Bahia assumiu o compromisso de ser a emissora da Década Internacional Afrodescendente, então temos, cada vez mais, produzido conteúdos próprios sobre a temática negra e dando espaço a esse universo na televisão”, completa. 

A relação da série com os afro-brasileiros 


Giants, apesar de se passar em uma realidade norte-americana, diz muito sobre a Bahia. Muitos dos temas tratados na série são vividos pela população negra aqui no Brasil, as realidades se conectam. “São questões que tratam do dia-a-dia do afro-americano e que coincidem também com o que passam os jovens afro-brasileiros. Por isso a importância de trazer a série pra cá”, explica David Wilson, um dos produtores da série e criador do primeiro portal com conteúdo voltado para afro-americanos, o TheGrio.com

A série 

Foto: Divulgação

O racismo institucional é um dos temas bastante trazidos na série. “Foi intencional abordar essa questão para conscientizar as pessoas sobre isso. Não queria que fosse uma coisa pessoal, queria mostrar que é uma questão coletiva e não individual”, afirma o diretor e protagonista James Bland.  Além disso, a série discute também a questão dos transtornos psíquicos entre a comunidade negra. A personagem Journee foi a que gerou maior identificação do público e a presença desse recorte na série mostra a importância de haver um debate maior sobre saúde mental entre os jovens negros. “A gente percebeu que isso era muito importante porque, infelizmente, não vemos o recorte racial quando falamos de transtornos psicológicos”, completa Bruno Almeida, tradutor e um dos responsáveis pela parceria que traz a série para o Brasil. 

Conferência com James Bland
Foto: Rosalvo Neto

Durante a conferência, diretamente de Los Angeles, James Bland responde a algumas perguntas do público, que estava bem humorado e interativo. Questões que vão desde a guerra às drogas até a trajetória do artista foram abordadas. Inclusive passando por pontos como os custos da produção, que teve financiamento coletivo e familiar. Bland finaliza mandando uma mensagem aos jovens negros, expostos constantemente à realidade da violência policial: “Educação é importante e é preciso votar em políticas que tenham isso em suas agendas”. A partir desse diálogo, é possível relembrar uma das frases mais marcantes do primeiro episódio, exibido no lançamento: a justiça pode ser cega, mas enxerga cores muito bem

Para saber mais sobre a série, acessem www.giantstheseries.com


Texto de Ashley Hawthorne para o Portal Correio Nagô

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Sobre o blog


Conteúdo sobre questões raciais e de gênero de forma acessível e cor-de-rosa. O blog aborda assuntos como moda e estética negra como forma de expressão, além de questões ligadas ao movimento negro e feminista na contemporaneidade.

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