CRÍTICA | "Mãe!": clássico ou fiasco?

Por Leonardo Crusoé

Foto: Divulgação/Paramount Pictures
O filme 'Mãe!' do aclamado diretor Darren Aronofsky, não obteve os resultados esperados nas bilheterias o que diminuiu a expectativa para assisti-lo. Foi completamente ignorado pelo Globo de Ouro e concorrendo a diversas categorias na Framboesa de Ouro, dentre elas, pior atriz para Jennifer Lawrence, vencedora de um Oscar

´Mãe!´ não foi feito para apreciadores de blockbusters, já que é um filme chocante e necessário muita atenção aos detalhes para compreender a real intenção do diretor. Com analogias bíblicas a história se desenvolve entre a relação de um poeta (Javier Bardem), que faz alusão a figura suprema de Deus, e a de sua esposa (Jennifer Lawrence), que atua no papel da personificação da Mãe Natureza. 

Narrando as principais passagens bíblicas sobre a criação do mundo, usando um olhar crítico, constrói a narrativa de um filme muito a frente da sua época. A fotografia é impecável e consegue alcançar seu objetivo, que, em certos momentos é transmitir a agonia vivida pelos personagens. Levantam-se vários questionamentos, o que faz aumentar a curiosidade, de forma positiva. Narrando um ciclo que vem se repetindo, o longa tende a denotar que algo está errado na relação do poeta e sua mulher e a maneira insana que as coisas se desenrolam, o que levo em conta ser uma crítica social sobre relacionamentos abusivos. Mesmo que o agressor não perceba o que está acontecendo ao seu redor, sua mulher faz de tudo para agrada-lo, abdicando de suas vontades, causando assim um certo desconforto.

Foto: Divulgação/Paramount Pictures


Lacunas são deixadas para que preenchemos da forma que acharmos mais coesa, mesmo que nem tudo se encaixe, sendo o único momento em que o filme peca. Apesar de haver uma explicação para tudo, pontos de vistas diferentes podem ser tomados durante o filme, o que dificulta o papel que os créditos, de forma oculta, exercem. Nenhum dos personagens tem nomes, mas ao final do filme o poeta está nomeado como Him (na tradução literal: Ele) e nos pôsteres divulgativos do filme, há a presença de elementos que confirmam a teoria de que o filme é uma representação da passagem bíblica Gênesis. 

Dividindo opiniões, a obra não foi indicada a nenhuma das categorias do prêmio mais importante do cinema, o Oscar. Mesmo assim, pode-se assistir o filme e decidir se é uma obra de arte ou se é somente uma tentativa frustrada de mostrar algo diferente aos telespectadores.

Confira o trailer: 

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