Por que é tão ofensivo se fantasiar de mulher no Carnaval?

Valéria, personagem do programa Zorra Total
Foto: Reprodução.


Carnaval é aquela época do ano em que as pessoas acham que absolutamente tudo é permitido. Já chegamos ao ponto de quase excluir a existência de um mês só na expectativa para a chegada de fevereiro, que é quando as pessoas se permitem fazer coisas que não têm coragem de fazer o ano inteiro. A fantasia é uma das maiores tradições do Carnaval e se fantasiar de mulher, de índio, de negro e afins é algo que o público da festa ainda se recusa a entender que é ofensivo e não deveria ser aceito apenas por conta da época.

Mas por quê é tão ofensivo se fantasiar de mulher, por exemplo?


Ser mulher é uma questão que várias teóricas já debateram muito e, no final, ninguém chega a lugar nenhum. O que a sociedade entende por “ser mulher” é um conjunto de estereótipos e opressões que, com o uso de uma fantasia, se torna exagerado e desrespeitoso. Ter um homem se fantasiando de mulher no Carnaval passa por dois tipos de marcadores: a misoginia e a LGBTfobia. Isso porque, além de elementos geralmente atribuídos e utilizados pelas mulheres no cotidiano, as pessoas que se fantasiam fazem questão de englobar gestos e demonstrar atitudes que inferiorizam a imagem da mulher e de pessoas LGBT’s, como travestis e transsexuais.

No último dia do Carnaval 2018 começaram a surgir relatos de mulheres nas redes sociais em relação ao bloco As Muquiranas, um dos mais tradicionais do Carnaval baiano. O bloco é formado apenas por homens que usam trajes tidos como “femininos” de acordo com o tema escolhido para o desfile daquele ano. O problema é que, além de ser formado por um público extremamente machista e que esbanja misoginia o ano inteiro para chegar em fevereiro e se travestir, é que eles ainda fazem questão de agredir e abusar as mulheres que encontram pelo caminho no circuito.

Todos os anos pode-se ler relatos em redes sociais como Facebook e Twitter de mulheres que foram agredidas fisicamente e moralmente pelo público d’As Muquiranas. Não é preciso ir muito longe para encontrar esses relatos e até mesmo o Google nos dá vários links com notícias de agressões por parte desses foliões. Há alguns anos atrás foi noticiado que até xixi estavam jogando nas mulheres que passavam.

Mas então, como não ver problema em ter seu corpo violado, objetificado e inferiorizado durante o ano inteiro e ainda ser representada de forma pejorativa durante o Carnaval por esses mesmos homens que praticam a violência ao longo do ano?

As mulheres já se mostraram exaustas de toda essa misoginia entre o público do bloco e a hashtag #UmCarnavalSemMuquiranas já começou a rolar com os relatos mais assustadores possíveis como o exemplo abaixo:

 

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