CRÍTICA | A Forma da Água

Cartaz nacional do filme
Por: Leonardo Crusoé

O filme não é diferente de algo já feito e ao mesmo tempo é. Podendo passar despercebido, acreditando ser apenas mais um filme de fantasia e drama ficcional, a história de Elisa (Sally Hawkins) é comovente e crítica. A trama que gira em torno da relação de uma garota muda com o mundo, suas dores e suas delícias são expostas e bem apresentadas logo de começo no filme. 

Elisa não se sente parte da sociedade, e precisa de uma amigo que não a faça se sentir tão só. A ideia prévia de como se sucedia a história é mudada com a introdução de um personagem novo, uma criatura que retirada da Amazônia seria usada como objeto de estudo. Apesar da homenagem ao nosso país, a ideia poderia ter sido uma pouco mais aprofundada, uma vez que a criatura só vive em água salgada, e, na Amazônia isso é algo inexistente. 

A relação criada pelos personagens é pura e singela, Elisa precisa de um amigo que seja como ela, renegado pela sociedade por causa das diferenças, e isso é uma das principais mensagens do filme. Criticando o preconceito e mostrando ele de forma exótica, o diretor mexicano constrói uma narrativa que lhe rendeu o Oscar de Melhor Diretor e de Melhor Filme na 90º edição da premiação.

O filme entrega tudo aquilo que promete, cenas fantásticas gravadas debaixo d’água, uma  fotografia impecável e até mesmo Carmen Miranda na trilha sonora. Com a presença de todos os personagens na história, como  a da amiga da protagonista, vivida por Octavia Spencer que lhe gerou uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, nota-se algumas semelhanças com obras prévias do diretor. Criaturas que se assemelham a outros filmes seus, como a do filme HellBoy, onde o personagem é vivido pelo mesmo ator, Doug James. Sempre criando seres inanimados assemelhados à figuras humanas, como O Labirinto do Fauno (2006), que levou o prêmio de Melhor Maquiagem pela Acadêmia

Foto: Divulgação

Mas tudo é perdoado, pois  Guillermo Del Toro consegue criar uma individualidade exótica e apaixonada por essa criatura. Com prêmios merecidos e atuação impecável, o filme conquistou espaço nos corações dos amantes da sétima arte e a obra com uma crítica social fuderosa demais lacrou ainda está sendo exibida em diversos cinemas.

Confira o trailer: 


Um comentário:

  1. Parece que este filme é um dos melhores que o diretor Guillermo del Toro dirigiu. Michael Shannon fez um ótimo trabalho no filme. Eu vi que seu próximo projeto, Fahrenheit 451 será lançado em breve. Acho que será ótimo! Adoro ler livros, cada um é diferente na narrativa e nos personagens, é bom que cada vez mais diretores e atores se aventurem a realizar filmes baseados em livros. Acho que Fahrenheit 451 sera excelente! Se tornou em uma das minhas histórias preferidas desde que li o livro, quando soube que seria adaptado a um filme, fiquei na dúvida se eu a desfrutaria tanto como na versão impressa. Acabo de ver o trailer da adaptação do livro, na verdade parece muito boa, li o livro faz um tempo, mas acho que terei que ler novamente, para não perder nenhum detalhe. Sera um dos melhores filmes de ficção cientifica acho que é uma boa idéia fazer este tipo de adaptações cinematográficas.

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