CARNE, OSSO E ELETRÔNICA


Por Axel Adrian 

"Sou de carne, osso e eletrônica", é um trecho de uma música interpretada por Gal Costa nos anos 80, composta por Marina Limabque de música eletrônica entende muito bem, sendo uma das pioneiras na forma de compor, executar e arranjar. Mas não é sobre elas que vamos falar. É sobre o gênero, não o sexual, não o delas... Mas o gênero musical que mais cresce quer seja se integrando a outros estilos, quer seja integralmente.

Gênero que tem dado ritmo aos mais variados arranjos ao redor do mundo, no entanto, a música eletrônica não nos faz esquecer "o velho ritmo mulato", se ajustando à percussão nativa afro brasileira, como se vê presente nas bandas Atoxxa, Baiana System, Baco Exu do Blues, Dueto BAVI, Xênia França, Larissa Luz... É de admirar os feitos dessa gente.

Compor, arranjar e orquestrar tantos sons (e imagens) exige uma perícia muito grande e uma produção musical de primeira. Por isso, não resumamos obras primas complexas a MPB ou música pop. O que presenciamos aqui, "sendo colhido por negras" como sempre, é o novo, o futuro e o passado elevando a riqueza da nossa cultura. É lindo ver que algumas bandas estão recebendo a atenção que merecem quando apresentam uma produçao com ritmo efeverscente e dancante. Mas nossa música vai além disso e é preciso exaltar para que se torne atemporais o que em tempos de globalização se dita como superficial ou passageiro. Vale lembrar também que na maioria das vezes esses artistas começam independentes e lutam muito para se automizar ou capitalizar, e sabe-se lá que tipo de gênios da música estão escondidos neles, desde quando sabemos que música e entretenimento tem gerado muitos benefícios à economia e ao bem estar emocional e social do povo de um lugar.
E se falamos em valorizar as produções, falamos também em valorizar os locais que estão sendo ocupados com força nas mais diversas areas da cidade e não apenas nos pólos culturais já bem conhecidos. Então, cabe a nós como público também procurar, formentar, movimentar sem preconceitos os ambientes novos que estão sendo abertos ou ocupados.

Vemos hoje, como diria Marina, o que é uma "música universal que não deve nada a ninguém", e que em tempos de tanta música pobre em letra e arranjo sendo oferecida saibamos reconhecer o que é nosso, rico, negro e baiano e universal ao mesmo tempo. Fazendo isso, os esforços de quem faz música hoje na Bahia, que vive pelo sonho e acalenta nossas esperanças  não serão em vão, e daremos uma oportunidade de mostrar pro mundo toda musicalidade prensente no nosso sangue latino.

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