A mutilação genital feminina e a Flor do Deserto

Por Lisandra Rodrigues



A história real da modelo Waris Dirie é contada no filme autobiográfico Flor do Deserto, dirigido por Sherry Hormann que deixou claro o principal objetivo do filme: denunciar que a prática da mutilação genital feminina ainda existe e está bastante disseminada.

A personagem principal do filme, protagonizada pela atriz Liya Kebede, nasceu na Somália em uma tribo que sofria com extrema pobreza, quando, ainda criança, foi vendida pela família para casar com um homem muito mais velho. Negando-se a viver essa verdade, fugiu, percorrendo o deserto somali durante vários dias com destino a Mogadíscio, onde uns parentes a abrigaram e a enviaram para Londres. A partir daí, a vida de Waris mudou-se drasticamente e, ao revelar ao mundo que fora vítima de excisão feminina na sua infância, iniciou uma luta contra a esta tradição, tornando-se embaixadora da Organização das Nações Unidas (ONU).

Apesar de ser um longa-metragem de 2009, se mantém atual e provoca o espectador a refletir sobre muitos e diferentes assuntos. Ao assisti-lo, é normal deixarmos a emoção tomar conta, já que o seu foco está no sexo feminino. A obra aborda diversos temas voltados para as repressões que mulheres e mulheres negras sofrem ao longo de suas vidas, porém mantém o destaque na sua ideia central que sim, ainda é uma realidade em alguns lugares do mundo, mesmo já sendo proibida. 

 Fundamentalmente, se acredita que a prática poderia eliminar o desejo de uma mulher de estar com outros homens que não seja o marido. Não há a intenção de causar danos as crianças e sim de propagar uma “cura”, assim considerada. Segundo a bbc, a ONU estima que,  a cada ano, 3 milhões de meninas correm o risco de ser mutiladas e morrer por consequência disso. TRÊS MILHÕES. Como acabar com uma violação aos direitos humanos, se, para aos povos que a praticam, é algo tradicional e necessário? 

Há quem diga que é não é uma decisão de autoridades, mas das comunidades em seu conjunto. Muito mais das mulheres e de como elas se sentem. Em contrapartida, a socióloga Olga afirma: “A prática, além de violar a dignidade humana, também viola os direitos da criança, já que meninas entre quatro e oito anos também são violadas. Não podemos legitimar crueldades e desigualdades com a desculpa de tradição.”.

Voltando para o filme, “Flor do deserto” merece reconhecimento por, sem dúvidas, ter obtido o êxito na sua finalidade e carregar consigo o poder de levar o direito de questionamento e mais informação sobre uma questão tão complexa que existe há anos. A sua mensagem compensa qualquer erro na forma em que foi passada. Somando todo esse contexto com o fato de que mais de seis mil mulheres são vítimas desta pratica diariamente, o filme é mais que recomendável.

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