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A alta dos brechós e o incentivo ao consumo consciente

É possível, sim, consumir moda de forma consciente e criativa! Foto: Pedro Luiz Consumir roupas usadas sempre foi muito comum na Eur...

Dia de Marielle Franco contra o genocídio da mulher negra é instituído no Rio


O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, sancionou na última quarta-feira (18), a lei nº 8.054, que inclui no calendário oficial do estado o dia 14 de março como o “Dia Marielle Franco – Dia de luta contra o genocídio da mulher negra”. Nesta data, instituições devem promover o debate sobre o genocídio da mulher negra.

Marielle Franco foi assassinada no dia 14 de março de 2018, junto ao motorista Anderson Gomes, no centro do Rio de Janeiro. Marielle foi vereadora do Rio, eleita em 2017, além socióloga, feminista e defensora dos direitos humanos. As características de sua morte deixam claro que se trata de um crime movido por perseguição política. Marielle  foi grande crítica da intervenção federal no Rio de Janeiro e denunciava os abusos de autoridade contra os moradores das periferias. Quatro meses já se passaram desde o ocorrido e nenhum suspeito foi preso.

 Segundo dados do Atlas da Violência 2018, nos últimos dez anos, os números de assassinatos caíram 8% entre as mulheres brancas e aumentaram 15,4% entre as mulheres negras. O dia 14 de março será um dia para refletir sobre as violências diárias sofridas pelas mulheres negras.

Feira de empreendedorismo do gueto acontece neste sábado (21) em São Caetano


A Feira Odara, promovida pelo Brechó Odara, acontece neste sábado (21), a partir de 11h, na Quadra de São Caetano. A proposta da feira é dar espaço para empreendedores da periferia impulsionarem seus trabalhos, além de incentivar o consumo de empreendimentos da favela.

Ao todo serão 15 expositores, com mulheres negras em sua maioria, levando produtos dos mais diversos segmentos, como gastronomia e moda.



A marca de roupas Preta Patrícia é uma das exposições confirmadas no evento
Foto: Matheus Aquino

O projeto foi idealizado pela jovem de 19 anos Inara Barone, junto aos seus amigos. Ela conta que tem muitos amigos e conhecidos que possuem um pequeno negócio, mas não têm visibilidade ou espaço.

Segundo pesquisa do Data Favela para o Sebrae, de cada 10 moradores das favelas brasileiras, 4 tem vontade de empreender. Ainda de acordo com o estudo, 12,3 milhões de pessoas vivem nas favelas do Brasil e movimentam uma economia de 68,6 bilhões.

Sabemos que dentro da periferia sempre existiu o empreendedorismo, mas com outro nome: sobrevivência. E tudo isso eles não aprenderam em workshops, reuniões ou palestras sobre empreendedorismo, aprenderam como forma de sobreviver, de colocar o pão na mesa e educar seus filhos”, afirma a idealizadora.

Além de roupas, acessórios e comida, o evento conta com música e poesia, com apresentações do Coletivo Pé Descalço, da dupla Visioonárias e da musicista Rai Éssi.

MANDELA DAY | O apartheid ainda existe



Desde 2010, a ONU (Organização das Nações Unidas) comemora o dia 18 de julho como um dia internacional em homenagem ao herói da luta anti-apartheid, Nelson Mandela. Em 2018 comemora-se o centenário de Nelson Mandela, que nasceu em 18 de julho de 1918. Mandela foi um importante ativista da causa negra e sua principal luta foi contra o apartheid na África do Sul.

Desde a juventude, Mandela se manteve ativo na luta contra a segregação racial na África do Sul. Em 1964 Mandela foi preso e sua liberdade só veio 27 anos depois, em 1990, mesmo ano que o apartheid chega ao fim, em tese.

O regime de segregação racial foi implantado na época pelo Partido Nacionalista, que representava os interesses da elite branca que vivia na África do Sul. O apartheid criou regras jurídicas, que iam desde a proibição do casamento entre negros e brancos, até a perseguição aos negros, que eram também proibidos de entrar em certos espaços e vítimas constantes de violência.

Podemos até considerar que o apartheid foi um período recente, pois teve seu fim há apenas 28 anos atrás, em 1990. Mas assim como em outros países, a população negra da África do Sul ainda sofre com os resquícios da segregação. O apartheid ainda existe e de forma nítida, mas com uma nova face.

Um grande exemplo é que mesmo com o racismo e a segregação sendo crime na África do Sul, existe um lugar chamado Orânia onde a população é 100% branca e vive como um país independente, mesmo sendo apenas um povoado. Cerca de 700 pessoas vivem na Orânia, que só aceita pessoas brancas para morar. Eles têm todo um sistema que os torna o mais independente possível do exterior, com bandeira e moeda própria, além de instituições como escolas e igrejas. Teoricamente, eles não estão contra a lei que condena o racismo e a segregação, pois a Orânia é institucionalizada como uma empresa que aceita sócios.

Além disso, atualmente, uma grande parcela da população negra sul-africana vive a realidade do desemprego, ou dos subempregos, na pobreza e miséria. O apartheid hoje é econômico, com o poder ainda na mão dos brancos e os negros ainda segregados e sobrevivendo nas periferias.

Se a gente puxa esse cenário para a realidade brasileira, também não é diferente. A população negra é a maioria nas periferias e minoria entre os mais ricos. Ainda vivemos o racismo estrutural e estruturante que torna mais difícil e tortuoso o caminho até a ascensão social.

O apartheid é na África do Sul, é no Brasil e no mundo inteiro, com novos formatos e formas de velar e fingir que o racismo não é um problema que deve ser combatido.

Feminismos negros em pauta no Redação Itinerante desta quarta (18)


A ouvidora-geral da DPE/BA, Vilma Reis, é uma das convidadas

O projeto Redação Itinerante, do Portal Correio Nagô, traz para a programação desta quarta-feira (18) uma roda de conversa com o tema “Feminismos Negros” e convida ativistas, intelectuais e profissionais negras para falarem sobre o assunto.

Dividido em dois atos, o evento terá um momento às 14h e outro às 16h. Dentre as participantes estão mulheres negras de peso, como Vilma Reis (ouvidora-geral da Defensoria Pública do Estado Bahia), Lindinalva de Paula (Rede de Mulheres Negras da Bahia), Cleidiana Ramos (Revista Flor de Dendê), Vânia Dias (jornalista e apresentadora), Mariella Santiago (cantora), Naira Gomes (Marcha do Empoderamento Crespo), Mia Lopes (jornalista), Tata Ribeiro (grafiteira), Naila Souza (Bacharelanda em Humanidades-UFBA), Viviane Nascimento (doula e publicitária) e Cris Sales (doutoranda em Literatura e Cultura).

As atividades são gratuitas e acontecem no Espaço de Inovação e Criatividade Vale do Dendê, no piso 02 do Shopping da Bahia.



Além disso, outras atividades estarão acontecendo no Espaço Vale do Dendê durante esta semana, como workshops e bate-papos sobre empreendedorismo, representatividade e mais.

Clique aqui para saber mais!

SEXTA-FEIRA 13: Filmes para maratonar na madrugada!



Todos nós já ouvimos falar sobre a sexta-feira 13 em algum momento de nossas vidas, uma data que sempre associamos ao terror e coisas ruins, mas, poucos sabem o real motivo dessa data ser considerada tão “amaldiçoada”.

A mais comum e mais acreditada é uma teoria ligada ao cristianismo, que fala sobre Jesus juntamente com seus 12 discípulos na Última Ceia que aconteceu em uma quinta-feira, totalizando 13 pessoas, incluindo seu traidor:  Judas. Até que no dia seguinte Jesus foi morto.
Além desse fato acredita-se que o número (12) signifique perfeição, pois ainda segundo a bíblia sempre o número foi o mais presente (discípulos e tribos em Israel), logo o número 13 é considerado pelos ortodoxos extremistas como o número do anticristo. 

E foi pensando nessa data tão macabra que separamos filmes que você vai querer maratonar nesta madrugada! E melhor ainda: todos eles estão no Netflix.



#1 Psicose


Um dos melhores filmes já produzidos por Hitchcock, a primeira versão pode ser considerada o marco dos filmes de terror e também um clássico. Por ter um mix de suspense e horror é uma história cativante que narra a história de uma mulher chamada Marion (Janet Leigh) que trabalha em um banco e acaba roubando certa quantia de lá em seguida embarca em uma fuga. Depois de se hospedar em um hotel e ser brutalmente assassinada, seu caso é um mistério para os familiares e os proprietários do estabelecimento, Norman (Anthony Perkins) e Norma Bates, respectivamente: um garoto apaixonado por taxidermia que tem uma relação complicada com sua mãe. O filme é originalmente baseado em um livro que teve todos os seus exemplares comprados pelo diretor durante a produção cinematográfica para que a história permanecesse um suspense para os telespectadores. Não se espante pela imagem preto-e-branco e dê uma chance a este clássico de terror.




#2 Hush- A morte ouve.


Um terror surpreendente é como se define esse filme, com uma história excêntrica de uma jovem escritora deficiente visual e auditiva (Kate Siegel) que mora sozinha em uma casa no campo na tentativa de viver isolada e se dedicar ao seu trabalho, até que sua casa começa a ser invadida e a mesma a ser perseguida por uma homem desconhecido. Por conta de sua condição auditiva, a jovem não sabe o que está acontecendo ao seu redor e cabe ao telespectador viver em agonia e angústia durante todo o filme. Cabendo totalmente a ela mesma a tentativa de se manter viva sem emitir nenhum som.







#3 Mama

O filme narra a história de duas garotas que ficaram desaparecidas durante cinco anos após o assassinato de sua mãe e que acabam sendo criadas por uma entidade denominada “Mama”. Além de ser um algo desconhecido pelos demais personagens, a criatura possui um espírito de maternidade com as crianças. Mostrando a história após o período de trauma, os tios (Jessica Chastain e Nikolaj Coster Waldau) buscam ajuda e uma maneira de se adaptar a presença da criatura que vem trazendo más comportamentos nas crianças. O filme tem como diretor executivo Guillermo Del Toro, vencedor do Oscar de Melhor Diretor esse ano.





#4 Os outros

Uma história que se passa durante a 2º Guerra Mundial trás Nicolle Kidman interpretando Grace, uma mulher cristã devota que cria seus dois filhos que possuem uma doença grave enquanto espera o retorno do seu marido da guerra. Vivendo isolados do mundo em uma ilha deserta, coisas estranhas começam a acontecer na mansão da família rigidamente religiosa, a presença de entidades faz Grace questionar sua fé e tentar ao máximo proteger seus filhos.





#5 Vende-se esta casa.


Vende-se esta casa é um terror totalmente inovador, algo nunca feito antes, pois ele narra tudo do ponto de vista do protagonista “bonzinho” que está indefeso e em busca de respostas. Um filme que levanta vários questionamentos e nos deixa à mercê da história buscando por respostas. É um suspense produzido como nunca antes, onde um garoto (Dylan Minnette) e sua mãe (Piercey Dalton) são obrigados a se mudar para uma casa na montanha por questões financeiras e coisas estranhas começam a acontecer com a casa e com os personagens que tem relação com a mãe e o filho. É uma produção original Netflix que divide opiniões em relação ao desenrolar da história.







+Bônus: Bates Motel

Assistir série é seu forte? Essa recomendação é para você:

Se você se interessou pelo primeiro filme da lista e quiser saber mais sobre a história dos personagens, recomenda-se a série “Bates Motel” que narra toda a vida de Norman e Norma e suas relações interpessoais na cidade onde vivem. Contendo atuações icônicas, dentre elas Rihanna e Vera Farmiga, foi muito aclamada durante o período de exibição. Além de sanar as dúvidas que o filme possa deixar é uma série de thriller-psicológico genial. A última temporada foi adicionada recentemente ao catálogo da Netflix.




Boa maratona!

Calça com listra lateral traz de volta uma herança dos anos 90

(Elle/Divulgação)

Além das camisas color block, uma das grandes contribuições do seriado Um Maluco no Pedaço para a moda foram os jeans e as tão amadas listras. E sabemos bem que, das maiores manias do mundo da moda, o vai-e-vem de tendência é uma das características mais frequentes. 

Euzinha belíssima
com a calça com fenda da @uneedshop
Quem está de olho no que vem surgindo e crescendo, sabe que as calças com listra lateral (ou track pants) já chegaram “com o pé na porta”, ganhando amores e ódios por aí. É impossível ver o modelo e não lembrar de marcas como Adidas e Nike, que já tinham lançado isso lá nos anos 90. Hoje, as calças ganharam versões de outras marcas e até mesmo ressignificações, com modelos em tecidos mais sofisticados.

O jeans não ficou de fora, também ganhando versões com listra lateral. A verdade é que as listras voltaram a aparecer nas tendências dos últimos tempos e já ganharam, além das calças, as saias e shorts também. A versão em jeans lembram bastante a estética de Um Maluco no Pedaço e da moda dos anos 90, como já mencionado.

Em 2018, as calças foram a grande tendência do Lollapalooza, que teve um público que ousou e abusou da criatividade na hora de montar os mais variados looks. Podendo ser combinadas com croppeds e jaquetas, além de tops em faixa para looks mais descontraídos e ousados. Se quer um look ainda mais esportivo, a combinação com uma blusa de listra lateral dá super certo também. Quer um ar mais sério e sofisticado? Combina com um blazer e saia por aí fazendo a fina.

Algumas inspirações para babar!

(Pinterest/Reprodução)


(Loja Afghan/Divulgação)

(Pinterest/Reproduçã)

(Pinterest/Reprodução)

Você só sabe o que é ser uma mulher quando é uma


Por Danielle Souza

Recentemente eu terminei um relacionamento e senti medo. Não, eu NÃO vivia um relacionamento abusivo, mas por ver diariamente dezenas de mulheres sendo mortas por seus ex-companheiros, temi que isso acontecesse comigo também (mesmo sem ter motivos).

Ser mulher é viver com medo e esse medo é inerente ao gênero (e isso também inclui as mulheres trans). Você já parou para pensar no que deixou de fazer por ser mulher? Na roupa que você não usa pois tem medo de que te achem vulgar. Na saia curta que você não veste pois tem medo de ser abusada. No batom vermelho que você aposentou para não ser assediada. No uber que você solicitou, mas tem medo de que ele desvie o caminho. No horário de sair e voltar para casa, afinal, mulher que anda sozinha a noite pede para ser estuprada, não é mesmo?

Você só sabe o que é ser uma mulher quando é uma e, por mais fértil que seja a sua imaginação, você não conseguiria pensar nas situações constrangedoras que uma mulher passa ao longo da sua vida. Situações essas que começam muito cedo, aprisionando e limitando a mulher ao seu próprio corpo e a uma série de estereótipos ligados ao gênero feminino como delicadeza, fragilidade, dom para afazeres domésticos, etc. Já para os homens são associados espaços públicos, de destaque, políticos, masculinidade, força, altivez, etc. O machismo estrutural da nossa sociedade endossa esses estereótipos e ajuda a perpetuá-los geração após geração, perenizando também os nossos medos.

A ideia da mulher frágil, por exemplo, faz com que o homem, muitas vezes, se ache no dever de “protegê-la” ou de ter autoridade sobre o seu corpo. A partir disso, muitas mulheres são mortas pelos ex-companheiros que não aceitam o fim do relacionamento. Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, de janeiro a maio deste ano, 32 mulheres já foram vítimas de feminicídio. E essa situação me faz sentir medo. Será que serei a próxima? Ou será minha amiga? Ou minha tia?

Esse medo que eu sinto (e que você, mulher, também sente) nada mais é do que a herança de um patriarcado estrutural que acompanhou a minha avó, a minha mãe, a mim e a dezenas de gerações de mulheres Brasil a fora. E, ao meu ver, a única  contrapartida eficiente (além da educação dos meninos, é claro) é falar. Expor os medos, os assédios sofridos, as situações constrangedoras, tudo aquilo que nos aprisiona pois, como dizia a pintora mexicana, Frida Kahlo, “amuralhar o próprio sofrimento é arriscar que ele te devore desde dentro”. Não deixe que o machismo te sufoque. Não se Kahle!

JULHO DAS PRETAS | Talk show debate política entre jovens mulheres negras


As mulheres negras movem o mundo e elas têm encontro marcado no dia 13 de julho para o talk show “Negras Jovens Movem a Bahia”, às 17h, no CEAO (Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA), no Largo Dois de Julho, em Salvador.

Com uma linguagem bem descontraída, o talk show irá trazer para o debate as diversas questões que perpassam a vida e a luta das mulheres negras. Assuntos como população em situação de rua, LBT, antiproibicionista, arte, organização comunitária, movimento de mulheres negras, hip hop, cinema, contra a gordofobia, pelo direito à maternidade, direitos sexuais e direitos reprodutivos, atuação na Universidade e na pesquisa, entre outros, serão pautados no evento.

A ideia é fazer uma provocação/convocação pensando nas nossas construções e ações coletivas e pensar como essas construções  podem fortalecer a luta de enfrentamento ao racismo e ao sexismo”, afirma Ana Paula Rosário, representante da Articulação Nacional de Negras Jovens Feministas da Bahia (ANJF / BA), organização realizadora do evento.

A ação, realizada pela ANJF/BA, faz parte da agenda da 6ª edição do Julho das Pretas e irá aprofundar o debate sobre a atual conjuntura política, relacionando o tema à luta contra o racismo e a realidade de cada uma das participantes.

E o debate está cheio de presenças de peso, é claro, como Júlia Morais (Cine Quebradas), Líslia Ludmila (poetisa), Bruna Silva (poetisa), Simone Alves (RMNBA e Candaces), Naila Sousa (estudante), Thamires Vieira (Rebento Filmes\Tela Preta), Graziela Paixão (RENFA), Milena Freitas (Mov. Gordo da Bahia\ANJF), Udi Santos (rapper), Annie Ganzala (artista plástica), Anne Rodrigues (RENFA\ANJF), Daí Costa (CANDACES\ANJF), Ana Paula Rosário (ANJF\Odara). O Talk Show será mediado pelas comunicadoras negras Alane Reis (Afirmativa\Odara\ANJF) e Beatriz Almeida (Correio Nagô\ANJF).

Confirme presença no evento. 

Caso Cocielo e o racismo nosso de cada dia



Nesta semana, o assunto que mais ferveu nas minhas redes sociais foi o caso do youtuber Júlio Cocielo que publicou um tweet racista onde comparava o Mbappé, jogador de futebol negro, a um assaltante por conta da sua velocidade. Quando percebeu que o bicho pegou, Cocielo rapidamente apagou o tweet, mas a internet não perdoa e logo vários tweets antigos foram expostos e com conteúdos ainda mais racistas, além de machistas e homofóbicos.

Com 13 milhões de seguidores, Cocielo está entre os maiores influenciadores do Brasil e seu público é basicamente formado por crianças e adolescentes que geralmente entram na internet para ver conteúdos de humor e entretenimento. Esses jovens acabam sendo influenciados por esse tipo de conteúdo e Cocielo acaba sendo um formador de opiniões. Agora imaginem o estrago que é ver um monte de criança e adolescente reproduzindo racismo para defender esse youtuber e até mesmo se achando engraçadinhos!

Nenhum pedido de desculpas acaba sendo válido neste caso, pois, apesar da maioria dos tweets absurdamente racistas que foram publicados pelo Cocielo, evolução não é algo que conseguimos ver. Sua justificativa é que ele era adolescente quando tentava ser engraçado com aqueles tweets, mas aí entramos na lógica de que homem é adolescente para sempre e nunca pode ser responsabilizado por seus atos, pois na época em que os tweets foram publicados o Cocielo já tinha uns 18 anos. E eu acho que 18 anos é idade suficiente para você ter consciência do que você fala e escreve na internet.


É daí que percebemos que de lá pra cá, quase nada nas atitudes e no caráter (não digo opinião porque racismo está bem longe de ser opinião) dele foi mudado. Todos esses tweets reforçam discursos que matam os jovens negros no Brasil de uma forma brutal. Os casos e estatísticas estão aí para provar que esse tipo de discurso é nocivo e mata. Racismo mata e não é preciso ir muito longe para encontrar casos de negros que foram mortos porque acabaram sendo confundidos com ladrões.

Compartilho do mesmo pensamento que a Gabi Oliveira, do canal DePretas: é preciso punir os racistas, sim, mas, sem sombra de dúvidas, uma educação antirracista é muito mais eficaz. Hoje em dia não basta ser contra o racismo e sim ANTIRRACISTA, porque calados não combatemos essa estrutura que violenta a população negra todos os dias.

Devemos combater o discurso de ódio e as contra-narrativas são essenciais para diminuir o problema. Existem pretos e pretas que fazem uma verdadeira revolução na internet e discutem temáticas muito importantes para a comunidade negra.  É como a Xongani disse: precisamos de contra-narrativas ao discurso de ódio no YouTube. Ou seja, é necessário que tenhamos youtubers pretos com 13 milhões de seguidores também para influenciar o público positivamente, para ter responsabilidade com seus conteúdos e, principalmente, consciência social. Porque viver nesse país não é nada fácil e é mais difícil ainda conviver com influenciadores preconceituosos e irresponsáveis com seus conteúdos disseminando a intolerância e o ódio.

E o nosso papel nisso é justamente apoiar youtubers e produtores de conteúdo negros. Vale mais a pena disseminar um conteúdo interessante e útil do que passar o dia inteiro brigando com racistas na internet ou compartilhando a polêmica de tal youtuber que foi racista. Devemos protagonizar os negros e não o próprio racismo. 

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