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RESENHA | Felicidade Por Um Fio


A Netflix lançou em 21 de setembro o filme “Felicidade Por Um Fio” (Nappily Ever After), uma comédia romântica que conta a história de Violet Jones, uma mulher negra, publicitária e que, aparentemente, tem a vida perfeita, o emprego perfeito, as roupas perfeitas e... o cabelo liso perfeito.

Quando vi todo mundo falando sobre o filme e após alguns amigos me indicarem, fui rapidamente assisti-lo. Principalmente por conta do tema da minha pesquisa de conclusão do curso de jornalismo que fala sobre cabelo crespo e afirmação da identidade negra.

Logo na primeira cena, o filme me faz disparar vários gatilhos com relação a cabelo na infância. Violet não podia brincar e se sujar como as outras crianças e nem podia tomar banho de piscina, tudo isso por causa do seu cabelo alisado e pelo fato de ser negra. Ela se sujar como as outras crianças brancas tem outro peso e, inconsciente ou não disso, a mãe obrigava Violet a estar sempre limpa, arrumada, comportada e perfeita. Nesse filme, a perfeição é uma questão muito importante para entender as subjetividades tanto de Violet, quanto da sua mãe.

Veja a resenha do Ashismos no YouTube:



Na obra, destaco principalmente quatro personagens-chave: a protagonista, Violet, interpretada pela atriz Sanaa Lathan; sua mãe, Paulette Jones, interpretada por Lynn Whitfield; Will, o cabelereiro, interpretado por Lyriq Bent; e Zoe, a filha de Will, interpretada por Daria Johns. Cada um desses personagens têm papéis fundamentais no desenvolvimento da personagem principal e, ao longo do filme, vamos percebendo isso.

Após um incidente que lhe causou um corte químico, Violet se vê obrigada a mudar sua relação com o cabelo. E, junto a isso, romper o relacionamento foi também um fator decisivo nessa relação da personagem com esse cabelo. Apesar de ter me incomodado essa motivação ter se dado a partir da figura masculina e essas relações terem girado em torno de todo o enredo, acho que faz parte também da subjetividade de Violet, que sempre foi ensinada pela mãe a estar linda, perfeita e lisa para agradar os homens.

A mãe de Violet, Paulette, é colocada no filme como a figura responsável por moldar e construir o comportamento da personagem. A postura perfeita e embranquecida foi, desde a infância, incentivada pela mãe. E aqui não a critico, pois nós mulheres negras sabemos o peso do racismo em nossas vidas e imagino que não deve ser fácil criar uma criança negra nesse mundo. Foi questão de sobrevivência e percebemos isso em uma cena no final do filme.

Will, o cabelereiro, entra no filme como um contraponto a Clint, o ex-namorado de Violet. Eles se relacionam durante um momento e Will é esse cara que a faz se sentir confortável e ela mesma. Além disso, a relação que o personagem tem com o cabelo crespo e a identidade negra é um fator importante para as decisões que Violet toma em certos momentos.

A filha de Will, Zoe, é tudo o que Violet queria ser. Uma criança doce e livre com o seu cabelo e sua identidade. Podemos dizer que Zoe é uma criança empoderada (risos). E isso se deve a criação do pai, que sempre resistiu à mãe da garota, que alisava o cabelo, e nunca deixou que ela alisasse o cabelo da filha. E Zoe é uma criança livre, ela faz o que quer e o que sente vontade. Em uma cena com Zoe e Paulette é possível perceber o quanto uma criança negra incomoda, mesmo sendo igual às outras crianças brancas. Na cena, a menina estava próximo da mesa de comidas, olhando e escolhendo o que comer, e sabemos que isso é coisa de criança, mas Paulette a olha feio, briga com Zoe e demonstra ser um incômodo.

Por fim, Violet é a personagem que nos mostra que não é só cabelo. Existe um sentimento de liberdade na cena onde ela raspa os cabelos que me emocionou, porque foi como me senti quando fiz o big-chop e tenho certeza que outras mulheres negras que passaram pela transição capilar também sentiram. O filme conseguiu transparecer muito bem esse sentimento de liberdade.  E é a partir desse momento que a identidade de Violet começa a florescer, ela começa a perceber que não é obrigada a agradar os outros, ela percebe como o racismo age quando passa a ser ignorada com o cabelo raspado ou crespo, ela percebe os olhares.

Felicidade Por Um Fio é um filme que mostra o quanto a transição capilar é um processo importante na vida de mulheres negras. Assumir a estética crespa é assumir uma corporeidade e identidade racial que sempre foi sua, mas esteve escondida, pois a branquitude se auto-afirma como estética bela e superior e coloca a estética negra como inferior. E no momento em que decidimos assumir nossos cabelos crespos, estamos assumindo também uma estética de afirmação, de orgulho e também de resistência, pois se sentir bonita com a estética que é colocada como feia durante toda a sua vida é um ato revolucionário.

Veja o trailer: 

Por que eu sumi?

Foto: @jfsdvn

Algumas pessoas vêm me perguntando o porquê de o Ashismos estar há tanto tempo sem atualizações e estou aqui para dizer que: o TCC está tomando todo o meu tempo. Para quem não sabe, eu estou me formando em jornalismo esse ano e, quem já passou por esse momento na vida, sabe que não é fácil e precisa de dedicação máxima.

Por isso decidi dar um tempo no blog por enquanto, mas isso não significa que ele estará totalmente parado. Ainda serão publicados alguns artigos esporadicamente e eu estou presente sempre no Instagram e no Twitter. Além disso, será um tempo para sentar e projetar melhor o Ashismos, pois ele surgiu muito organicamente na minha vida, junto com a minha graduação, e tudo foi acontecendo de forma muito natural. Ou seja, esse tempo é também um momento de mudanças e projeções. Afinal, pra quê dar um tempo se não for para voltar melhor, não é mesmo?

No mais, espero que entendam esse momento e prometo que darei sempre o meu melhor para trazer conteúdos pra cá e até para o YouTube, coisa que estou devendo há anos.

Me acompanhem pelo Instagram e sempre que tiver artigo novo por aqui eu aviso.

Um beijo!

Abandono Paterno


Por Itana Lins

No mês dos Pais, todas as atenções estão voltadas para esta data “especial”, para os que possuem uma figura paterna presente, aproveitem. Contudo a realidade é que, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), são 5,5 milhões de crianças sem o nome do pai na certidão de nascimento no Brasil e isso é apenas o começo do que chamamos de abandono paterno.

Falta de pai, pai relapso, pai ausente emocionalmente, existem diversas maneiras de prejudicar a formação identitária de um filho com os traumas que vem no pacote do abandono. Tendo a insistir que não é só a ausência do nome nos documentos que machuca, o abandono se personifica no pai que convive com os filhos e não dá carinho, amor, atenção, naquele que quer moldar a criança aos seus ideais, mas esquece de que as crias são do mundo e pensam sozinhos, e usam a frustração para deixar de lado alguém que um dia deu amor. Também é visto no pai que abusa, maltrata e/ou violenta, aquele que abre mão do seu papel paterno para ser o grande vilão. Independente de qual seja o tipo, abandono é abandono e precisa ser discutido, pois, é a família que molda a personalidade e a vida social do indivíduo.

Socialmente, entende-se que a mulher nasce pronta para ser mãe, que é um dom, enquanto o homem é livre e mesmo quando pai não é visto como tão necessário e com tantas obrigações quanto à parceira, essa disfunção social já denuncia o quão naturalizado é aceitar um abandono paterno na sociedade, pois já é da natureza masculina, enquanto é da feminina ser a Super Mulher que se divide como mãe, trabalhadora e dona de casa. Porém, eis aqui uma verdade, convenções sociais não devem minimizar a gravidade dos erros.

Apesar de haver várias modalidades de abandono, podemos ter como avanço as garantias judiciais, o artigo 227 da Constituição Federal rege a dignidade dos abandonados resguardando a eles o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. Além da existência de oito anos do projeto Pai Presente do CNJ, onde há uma busca por crianças sem o nome paterno na Certidão de Nascimento, um questionamento para a mãe para saber sobre esta ausência e posteriormente a solução da situação de uma maneira bem menos burocrática. A declaração de paternidade também pode ser solicitada pelo pai e é mais ágil e fácil.

A reflexão para esse Dia dos Pais é que, independente de possuir uma figura paterna presente, é necessário entender a existência desse problema social que atinge boa parte do país, além de não naturalizar o abandono paterno pela construção social a respeito do homem e aprender que família é um termo fluido e deveria ser definido como pessoas que fazem bem, educam, apoiam e não por relações sanguíneas. Laço sanguíneo não significa amor, não se martirize por não amar por obrigação!

Entrevista com Wendel Vanguarda sobre o single 180



Lançada recentemente pelo rapper Wendel Vanguarda, a música "180" toca na temática da violência contra a mulher. Vale um adendo, para quem não sabe, 180 é o numero para denunciar anonimamente casos de violência doméstica e abuso contra a mulher.

No mês em que casos de feminicídio vieram a tona e aterrorizaram o país, se faz mais que necessário falar desse assunto. Mais necessário ainda que um jovem como ele aposte num tema tão delicado no começo de  sua carreira. Nota-se que nosso país tem quem se importe com esse assunto e dê voz a vítimas que muitas vezes sofrem caladas.


O vídeo conta ainda com coreografia de Eloy Rodrigues executada pela dançarina Laniedja e traz ainda Lucinalva Santos, mãe do rapper como atriz em algumas cenas. Aliás, a mãe do rapper, que como milhares de mulheres ao redor do país também sofreu com relacionamento abusivo e violência doméstica.


Confira a entrevista com o rapper:

O que te levou a tocar nesse tema?

O que me motivou a escrever essa música, foi quando minha mãe sofreu ameaças e eu liguei para polícia e eles disseram que não poderiam fazer nada já que não houve agressões e o homem não estava armado. Daí entendi o porquê das mulheres não denunciarem e os casos de violência irem ao extremo. Muitas se sentem sozinhas. Então percebi que esse assunto tinha que ser uma das pautas do rap, até pelo fato de vários casos que acontecem de Mc's que agridem suas companheiras.


Como foi o clima da gravações do clipe?

As gravações não foram agradáveis, minha mãe foi uma das atrizes e me fez imaginar momentos que ela já passou, mas com o ar de que estava fazendo o certo ao concientizar pessoas a fazer uma denuncia que pode salvar vidas. Tanto na gravação do clipe ou da música estavam mulheres presentes que já sofreram algum tipo de violência e percebi como grande era a necessidade de estar fazendo essa música.



O trabalho com Verso Insano vai dar uma pausa ou seguir paralelamente?

A primeira música que lancei foi solo intitulada "Do Mic pra cá", diferente da musica "180.", Pedro Cruz meu irmão de trabalho não estava comigo no processo mas me deu todo o apoio. Verso Insano continua produzindo normalmente, e a próxima música vai vim pesada com produção de Kvmvni records e Mandacaru.. ideias ácidas e diferentes do que vocês estão acostumados a ouvir.. Vanguarda!



*Se você sofre ou presencia abuso psicologico ou violência doméstica, denuncie. Disque 180.

Yan Cloud lança um self clipe no Instagram Stories

O single “#NemPrecisaDeRefrão” teve clipe produzido totalmente em formato de Instagram Stories

Foto: @melaninaphotos


O rapper soteropolitano Yan Cloud lançou esta semana o clipe de do single “#NemPrecisaDeRefrão”. A música é um REMIX de R.I.C.O., de Meek Mill com participação de Drake. Na letra, Yan problematiza a apropriação de MC’s brancos que acabam ascendendo mais rápido e tendo mais visibilidade que os próprios negros.

Porém, o mais interessante neste novo trabalho de Yan Cloud é o formato em que o vídeo lançado. O self clipe já é uma tendência entre os gringos, mas aqui no Brasil isso ainda está chegando. Trazer o self clipe junto com a gravação na vertical é, de fato, inovador entre os artistas baianos que fazem a cena do rap.

Yan Cloud conta que a ideia do self clip veio de referências da gringa. Além disso, ele destaca a importância do dinamismo neste formato de vídeo. “Trazer para os Stories é a forma mais prática e dinâmica que encontrei, por ser mais fácil no celular e não precisar virar a tela para assistir”, explica o rapper. Ele conta também que já vem há um tempo percebendo o movimento das empresas em produzir mais materiais na vertical para lançamentos e divulgações.


Imagem de divulgação do single.
O clipe se passa dentro do Instagram e é como se estivéssemos visitando o perfil do artista. E, durante a música, são exibidas várias imagens, vídeos e Boomerangs de Yan cantando a música. O self clipe tem também a participação de alguns amigos do rapper, que enviaram vídeos cantando o refrão.

Para quem não conhece, Yan Cloud é um rapper soteropolitano e, em 2018, chegou focado em sua carreira, com alguns lançamentos, como “Matéria Prima” e “Várias Fita”, que já possuem uma média de 3 mil visualizações no YouTube. Além disso, seu lançamento recente, “Última Letra Pensando em Você”, já chegou à marca dos 29 mil plays no Spotify.

O artista atua no cenário do rap desde 2015, quando começou a trabalhar com alguns rappers baianos. Já em 2017, Yan Cloud lança o seu primeiro EP, “Alívio”, e dá um passo decidido em direção à sua carreira solo.

Esse ano estou meio que num projeto Anitta”, brinca o rapper. Durante o ano, Yan lançou quatro trabalhos solo e dois com participações. “Estou tentando produzir bastante esse ano. É uma forma de buscar minha identidade musical, pois eu era fruto apenas do que eu ouvia”, finaliza.

Confira o clipe: 

Precisamos falar sobre relacionamento abusivo


Por Itana Lins

No ano do décimo segundo aniversário da Lei Maria da Penha, precisamos mais uma vez falar das consequências do machismo, raiz que sustenta ideais antiquados entranhados na sociedade, entre eles, os relacionamentos abusivos. Podemos definir como abusiva, uma relação onde uma pessoa, geralmente uma mulher, é manipulada, controlada e perde boa parte de sua liberdade em prol de outro alguém, além de haver a presença de violência, seja física, sexual ou psicológica.

Observando que as mulheres são as maiores vítimas desse tipo de relação, torna-se necessário discutir não só este tema, como também o mito do amor perfeito, do príncipe encantado que chega em um cavalo branco salva a mocinha linda e indefesa demonstrando ser maravilhoso, assim como todo homem em um inicio de relacionamento abusivo, onde existem presentes, elogios e a criação da melhor imagem para todos ao redor, porém este mesmo homem também manipula, controla as roupas, a carreira, as redes sociais e violenta, fisicamente ao agredir, psicologicamente e verbalmente através de discussões e ofensas que baixam a autoestima e estimulam o desenvolvimento de doenças como depressão e transtorno de ansiedade, e sexualmente ao manipular para conseguir sexo consensual ou a força, o que caracteriza o também crime de estupro. Vale ressaltar que somente no primeiro semestre do ano de 2017, 23 mil denúncias de violência foram registradas na Bahia, muitas delas provenientes deste tipo de relação. 

Para os que veem um relacionamento abusivo de fora, fica o aviso de que culpar uma mulher que deixou se encantar por alguém que parecia ser o príncipe, que vive esse tipo de relação cegamente, pois não enxerga ou entende os outros tipos de violência existentes além da física, ou que depende financeiramente, ou que aceita o que sofre por possuir uma doença psicológica, ou filhos, ou até mesmo por questões religiosas e longo tempo de relacionamento, só contribui para a negação do próprio estado da vítima, que mesmo com o apoio de amigos e familiares, muitas vezes não consegue se libertar daquilo, tornando a ajuda apenas mais uma dor.

Para aquelas que vivem, não se diminua por outro alguém, se você pode ser mais, seja. Por mais que seja demorado e difícil aceitar, não é normal estar sempre errada, ser tachada como louca e/ou dramática, não ter o controle da sua própria vida ou não ter privacidade e suas vontades respeitadas, não ter apoio e sim agressividade e violência. Doí, mas é possível sair e se houver medo, vai com ele, e se for necessário, acione alguém de sua confiança, utilize do 180 (Central de Atendimento à Mulher) que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, ou vá até a Delegacia da Mulher mais próxima, apesar de não ser eficaz como desejado, as medidas legais ainda são um bom caminho.

E por fim, para aquelas e aqueles que viveram e saíram, sejam bem-vindos de volta, é doloroso e libertador, mas não esqueça que você é suficiente, que aquela relação não pode te fechar para as outras, que também é necessário ter cuidado para não passar novamente por aquilo e que acima de tudo, você é forte, linda (o) e independente da idade, tem toda uma vida pela frente, abandone os hábitos adquiridos e sinta-se livre para ser o mulherão/homão que você sempre foi e sempre poderá ser.

Dieguito Reis lança o single Aqui Não é Montevidéu e dá mais um passo em carreira solo


O artista soteropolitano Dieguito Reis já soma 11 anos de carreira com projetos como a banda Vivendo do Ócio, o Trummer SSA e a banda Lau e Eu. Em 2018, ele decidiu se jogar de vez em um projeto solo que mistura as suas maiores influências musicais, como rap e mpb. Depois de lançar o single e vídeo “Favela Sincera”, é a vez de “Aqui Não é Montevidéu”, em Lyric Video.

"Há mais ou menos 5 anos eu venho sentindo a necessidade de lançar um trabalho solo, gosto muito de compor sem barreiras pois ouço todo tipo de música. Esse trabalho consegue mostrar bem essa diversidade que fui absorvendo na estrada durante toda a minha caminhada", explica Dieguito, sobre o trabalho solo.

O single “Aqui Não é Montevidéu” tem uma pegada forte de mpb e dialoga bastante com o rap. A música já entrou em uma das maiores playlists de rap do Brasil no Spotify, a RAPúplica, e fala sobre a vivência no bairro do Uruguai, em Salvador, e das quebradas da Cidade Baixa.

O Lyric Video contém imagens da Feira de São Joaquim e do bairro Uruguai. Foi produzido por Lucas Marques, com imagens de Emerson Reis. A composição é de Dieguito Reis em parceria com o rapper baiano Galf AC (que também rima no single) e o músico Pablo Dominguez, o mesmo que assina a composição "Nostalgia", sucesso da banda Vivendo do Ócio. O single também conta com os backing vocals de Bea Oxe e João Del Rey.

Patcharas


O trabalho faz parte do EP intitulado “Patcharas”, produzido por João Del Rey e Peu Del Rey. Segundo Dieguito, “Patcharas” transita no rap e tem influências do indie e da música popular brasileira. “’Aqui Não é Montevidéu’ fala do bairro do Uruguai, em Salvador-BA, e é um Boom Bap de verão”, explica o artista. 

Confira abaixo o Lyric Video de "Aqui Não é Montevidéu":

O que querem as mulheres negras?


No dia 25 de julho comemora-se o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela, líder e rainha quilombola. É um dia para lembrar a luta de mulheres negras que tanto se sacrificaram para construir a sociedade que vivemos hoje.

O mês de julho é marcado pelo Julho das Pretas, uma agenda de eventos que trazem diferentes organizações para discutir questões que perpassam a vida de mulheres negras. Diferente do dia 08 de março, o dia da mulher negra não tem nada de comercial. É um dia que não tem flores e muito menos presentes, é dia de luta para muitas mulheres negras, que mesmo tendo papéis tão importantes nos diversos setores da sociedade, ainda continuam sofrendo com a violência e o feminicídio.
Neste Julho das Pretas, queremos o fim da violência contra a mulher!  Somos as maiores ví
timas de violência doméstica, onde 59,4% das mulheres que sofrem com esse tipo de violência são negras.

Queremos o fim da violência obstétrica!  De acordo com o Ministério da Saúde e Fiocruz, somos as maiores vítimas de mortalidade materna (62,8%) e da violência obstétrica (65, 9%). Ainda continuam nos mutilando e nos negando anestesia, pois não somos vistas como seres humanos e ainda perpetuam a ideia de que a mulher negra não sente dor. Nós somos fortes e nossos corpos são feitos de luta, mas exigimos tratamento digno e saúde de qualidade.

Queremos o fim do feminicídio, onde as mulheres negras têm duas vezes mais chances de serem assassinadas do que as mulheres brancas. Somos 68,8% das mulheres mortas por agressão. Queremos o direito de viver sem medo de acabarmos assassinadas por ex-companheiros, agressores do nosso cotidiano e, principalmente, pelo estado. Parem de nos matar!

As pautas do Julho das Pretas precisam continuar existindo durante as outras épocas do ano, porque a atual conjuntura do Brasil não permite uma vivência digna para essas mulheres. O racismo continua tombando esses corpos negros e não é num bom sentido. Se as mulheres não-negras precisam lutar contra o machismo, as mulheres negras têm um trabalho de lutar contra o machismo, o racismo, o classicismo e outras questões diretamente ligadas à população negra.

As mulheres negras querem o mínimo que se pode exigir numa sociedade democrática: viver. E continuaremos pautando nossas questões e lutando pelos nossos direitos não só em julho e não só em novembro, mas durante o ano todo. Se for preciso, gritaremos, porque Vilma Reis nos ensinou que mulheres negras não podem falar baixo e têm que andar, de preferência, com o bicão na diagonal. Ela ainda nos lembra o que Alice Walker também ensina: para nós, falar alto é exercício de poder.

*Dados: Agência Patrícia Galvão

Dia de Marielle Franco contra o genocídio da mulher negra é instituído no Rio


O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, sancionou na última quarta-feira (18), a lei nº 8.054, que inclui no calendário oficial do estado o dia 14 de março como o “Dia Marielle Franco – Dia de luta contra o genocídio da mulher negra”. Nesta data, instituições devem promover o debate sobre o genocídio da mulher negra.

Marielle Franco foi assassinada no dia 14 de março de 2018, junto ao motorista Anderson Gomes, no centro do Rio de Janeiro. Marielle foi vereadora do Rio, eleita em 2017, além socióloga, feminista e defensora dos direitos humanos. As características de sua morte deixam claro que se trata de um crime movido por perseguição política. Marielle  foi grande crítica da intervenção federal no Rio de Janeiro e denunciava os abusos de autoridade contra os moradores das periferias. Quatro meses já se passaram desde o ocorrido e nenhum suspeito foi preso.

 Segundo dados do Atlas da Violência 2018, nos últimos dez anos, os números de assassinatos caíram 8% entre as mulheres brancas e aumentaram 15,4% entre as mulheres negras. O dia 14 de março será um dia para refletir sobre as violências diárias sofridas pelas mulheres negras.