Por que o hip hop é o movimento musical do ano?

Baco Exu do Blues
Foto: Divulgação.

Por Faustino Menezes

Sinceramente, eu não tenho essa resposta. Também não sou expert no assunto, mas venho querendo refletir sobre isso e acho que podemos fazer isso juntos.

Antes de qualquer coisa, o disco do Baco Exu do Blues, ‘Esú’, lançado ano passado é um norte bem importante para este texto porque ele envolve tudo o que define o novo rap nacional. Letras ácidas, pesadas, ora políticas, ora uma ode ao amor; melodias redondas, beats simétricos e mistura de trap que encanta qualquer ouvinte, seja ele até um não-devoto do estilo, como este que vos escreve. Essa é a sinopse do rap br

A importância do ‘Esú’ para a cena nacional é emblemática e marcou o ano de 2017. Após ganhar o desafeto de vários MCs do eixo Sul/Sudeste do país com “Sulicídio”, Baco abriu caminho para todo um cenário de rimadores do Nordeste. Isso todo mundo sabe, né?

O que eu busco aqui é entender essa movimentação do hip hop e eu vejo como o movimento se organizou muito bem, se profissionalizando e entendendo o mercado musical como verdadeiros empreendedores. Enquanto artistas de outros nichos como o rock e o reggae e suas variáveis estão cada vez mais omissos, os rappers e coletivos vêm desbravando mundos e planetas para chegarem ao topo. Sabem como? Lançando cada vez mais sons de extrema qualidade técnica e artística, conhecendo o jogo e quebrando “as taça”. Rimas cada vez mais inteligentes e cortantes é um ponto importante neste quesito, deixando de lado a estigma de “música de drogas, sexo, grana, etc”, sem falar em uma palavrinha muito esperta para o caso: inovação.

Rincon Sapiência
Foto: Reprodução/Nexo Jornal.
Gostaria de citar uns nomes que vêm me agradando muito, além do próprio Baco, como Vandal, Don L, Rincon, Diómedes Chinaski, nomes velhos e novos que vêm se reinventando, revisitando a esfera do hip hop nacional como poucos.

O grande lance do hip hop atual é a relevância ideológica e a visão avançada que muitos vêm tendo. Exemplo disso é a boa fusão do som com a imagem. Tudo muito bem trabalhado e milimetricamente planejado (ou não).

Trabalhos mais rebuscados, mais bem feitos, com cada vez mais qualidade, organização, visão empreendedora, pé na porta e força de vontade são as chaves do sucesso do hip hop nacional. Parcela disso deve-se aos nordestinos, diga-se de passagem, ok? 

Abraço e até mais!


Clipe do último lançamento de Baco Exu do Blues, Sinfonia do Adeus.

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