Negros no audiovisual | Já viu um filme negro hoje?

Resultado de imagem para pantera negra cast

Por Itana Lins

Em tempos de Pantera Negra, todos os olhares se voltaram para o protagonismo negro no cinema trazendo uma conquista para a causa negra, contudo é preciso pensar no negro no audiovisual em sua totalidade, na frente e por trás das câmeras.

O Cinema Negro surgiu com o Cinema Novo e é marcado pelas produções e atuações de Zózimo Bulbul, o primeiro negro protagonista de uma telenovela brasileira e produtor de diversas obras afrodescendentes, entre elas, deixo aqui a sugestão de Alma no Olho, filme que estabelece uma metáfora sobre a escravidão e a busca pela liberdade através da transformação interna do ser humano. Zózimo é a prova que a luta negra no audiovisual existe há muitos anos e merece seu destaque.

Na sociedade moderna, podemos ver a presença do Cinema Negro através de coletivos, ou seja, pessoas que juntas tentam desconfigurar o formato europeu dos filmes, esses conjuntos tem sua importância na sua contribuição para a mudança de paradigmas sócio-raciais nas produções audiovisuais. No Brasil, existem diversos coletivos como o Damballa do Espírito Santo, o Negração do Rio Grande do Sul e o Tela Preta da Bahia, onde é possível conhecer o trabalho da cineasta Larissa Fulana de Tal e seu curta-metragem Cinzas que traz para a pauta as cobranças, os atrasos, a polícia e os negros e a discussão de gênero.

Assim como Larissa, Viviane Ferreira é outra mulher que quebra padrões, não só por ser negra e trazer destaque para este segmento do Cinema, mas por ser mulher num âmbito majoritariamente masculino, comprovamos isto vendo que até as principais personalidades do Cinema Negro, Antônio Pitanga, Joel Zito Araújo e Zózimo Bulbul são homens. Viviane é a segunda negra a produzir um longa-metragem no país, sendo a primeira à produzir desde 1983, é soteropolitana e presidente da APAN (Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro), além de ser a roteirista e diretora de diversos filmes, entre eles O Dia de Jerusa com personagens negros e que narra o encontro de gerações e desperta um debate sobre a solidão.

Todavia, o descontentamento surge na falta da valorização do Cinema Negro, obviamente, sabemos da importância de um filme como Pantera Negra para a população negra mundialmente, pela primeira vez tivemos uma grande produtora e um grande mercado competitivo e restritivo trazendo para as telas um filme com um elenco quase totalmente negro, foi uma vitória enorme, porém agora, até mais do que antes, é o momento de dar valor à representatividade vinda dos nossos, portanto porque não se dá a chance de ver um filme negro hoje?

2 comentários:

  1. Mais uma vez, me dando o prazer de ler um texto maravilhoso. Vejo que ainda falta muita representatividade em filmes, novelas, e tantos outros. Com certeza é uma luta muito válida!

    ResponderExcluir