Caso Cocielo e o racismo nosso de cada dia



Nesta semana, o assunto que mais ferveu nas minhas redes sociais foi o caso do youtuber Júlio Cocielo que publicou um tweet racista onde comparava o Mbappé, jogador de futebol negro, a um assaltante por conta da sua velocidade. Quando percebeu que o bicho pegou, Cocielo rapidamente apagou o tweet, mas a internet não perdoa e logo vários tweets antigos foram expostos e com conteúdos ainda mais racistas, além de machistas e homofóbicos.

Com 13 milhões de seguidores, Cocielo está entre os maiores influenciadores do Brasil e seu público é basicamente formado por crianças e adolescentes que geralmente entram na internet para ver conteúdos de humor e entretenimento. Esses jovens acabam sendo influenciados por esse tipo de conteúdo e Cocielo acaba sendo um formador de opiniões. Agora imaginem o estrago que é ver um monte de criança e adolescente reproduzindo racismo para defender esse youtuber e até mesmo se achando engraçadinhos!

Nenhum pedido de desculpas acaba sendo válido neste caso, pois, apesar da maioria dos tweets absurdamente racistas que foram publicados pelo Cocielo, evolução não é algo que conseguimos ver. Sua justificativa é que ele era adolescente quando tentava ser engraçado com aqueles tweets, mas aí entramos na lógica de que homem é adolescente para sempre e nunca pode ser responsabilizado por seus atos, pois na época em que os tweets foram publicados o Cocielo já tinha uns 18 anos. E eu acho que 18 anos é idade suficiente para você ter consciência do que você fala e escreve na internet.


É daí que percebemos que de lá pra cá, quase nada nas atitudes e no caráter (não digo opinião porque racismo está bem longe de ser opinião) dele foi mudado. Todos esses tweets reforçam discursos que matam os jovens negros no Brasil de uma forma brutal. Os casos e estatísticas estão aí para provar que esse tipo de discurso é nocivo e mata. Racismo mata e não é preciso ir muito longe para encontrar casos de negros que foram mortos porque acabaram sendo confundidos com ladrões.

Compartilho do mesmo pensamento que a Gabi Oliveira, do canal DePretas: é preciso punir os racistas, sim, mas, sem sombra de dúvidas, uma educação antirracista é muito mais eficaz. Hoje em dia não basta ser contra o racismo e sim ANTIRRACISTA, porque calados não combatemos essa estrutura que violenta a população negra todos os dias.

Devemos combater o discurso de ódio e as contra-narrativas são essenciais para diminuir o problema. Existem pretos e pretas que fazem uma verdadeira revolução na internet e discutem temáticas muito importantes para a comunidade negra.  É como a Xongani disse: precisamos de contra-narrativas ao discurso de ódio no YouTube. Ou seja, é necessário que tenhamos youtubers pretos com 13 milhões de seguidores também para influenciar o público positivamente, para ter responsabilidade com seus conteúdos e, principalmente, consciência social. Porque viver nesse país não é nada fácil e é mais difícil ainda conviver com influenciadores preconceituosos e irresponsáveis com seus conteúdos disseminando a intolerância e o ódio.

E o nosso papel nisso é justamente apoiar youtubers e produtores de conteúdo negros. Vale mais a pena disseminar um conteúdo interessante e útil do que passar o dia inteiro brigando com racistas na internet ou compartilhando a polêmica de tal youtuber que foi racista. Devemos protagonizar os negros e não o próprio racismo. 

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