MANDELA DAY | O apartheid ainda existe



Desde 2010, a ONU (Organização das Nações Unidas) comemora o dia 18 de julho como um dia internacional em homenagem ao herói da luta anti-apartheid, Nelson Mandela. Em 2018 comemora-se o centenário de Nelson Mandela, que nasceu em 18 de julho de 1918. Mandela foi um importante ativista da causa negra e sua principal luta foi contra o apartheid na África do Sul.

Desde a juventude, Mandela se manteve ativo na luta contra a segregação racial na África do Sul. Em 1964 Mandela foi preso e sua liberdade só veio 27 anos depois, em 1990, mesmo ano que o apartheid chega ao fim, em tese.

O regime de segregação racial foi implantado na época pelo Partido Nacionalista, que representava os interesses da elite branca que vivia na África do Sul. O apartheid criou regras jurídicas, que iam desde a proibição do casamento entre negros e brancos, até a perseguição aos negros, que eram também proibidos de entrar em certos espaços e vítimas constantes de violência.

Podemos até considerar que o apartheid foi um período recente, pois teve seu fim há apenas 28 anos atrás, em 1990. Mas assim como em outros países, a população negra da África do Sul ainda sofre com os resquícios da segregação. O apartheid ainda existe e de forma nítida, mas com uma nova face.

Um grande exemplo é que mesmo com o racismo e a segregação sendo crime na África do Sul, existe um lugar chamado Orânia onde a população é 100% branca e vive como um país independente, mesmo sendo apenas um povoado. Cerca de 700 pessoas vivem na Orânia, que só aceita pessoas brancas para morar. Eles têm todo um sistema que os torna o mais independente possível do exterior, com bandeira e moeda própria, além de instituições como escolas e igrejas. Teoricamente, eles não estão contra a lei que condena o racismo e a segregação, pois a Orânia é institucionalizada como uma empresa que aceita sócios.

Além disso, atualmente, uma grande parcela da população negra sul-africana vive a realidade do desemprego, ou dos subempregos, na pobreza e miséria. O apartheid hoje é econômico, com o poder ainda na mão dos brancos e os negros ainda segregados e sobrevivendo nas periferias.

Se a gente puxa esse cenário para a realidade brasileira, também não é diferente. A população negra é a maioria nas periferias e minoria entre os mais ricos. Ainda vivemos o racismo estrutural e estruturante que torna mais difícil e tortuoso o caminho até a ascensão social.

O apartheid é na África do Sul, é no Brasil e no mundo inteiro, com novos formatos e formas de velar e fingir que o racismo não é um problema que deve ser combatido.

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