O que querem as mulheres negras?


No dia 25 de julho comemora-se o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela, líder e rainha quilombola. É um dia para lembrar a luta de mulheres negras que tanto se sacrificaram para construir a sociedade que vivemos hoje.

O mês de julho é marcado pelo Julho das Pretas, uma agenda de eventos que trazem diferentes organizações para discutir questões que perpassam a vida de mulheres negras. Diferente do dia 08 de março, o dia da mulher negra não tem nada de comercial. É um dia que não tem flores e muito menos presentes, é dia de luta para muitas mulheres negras, que mesmo tendo papéis tão importantes nos diversos setores da sociedade, ainda continuam sofrendo com a violência e o feminicídio.
Neste Julho das Pretas, queremos o fim da violência contra a mulher!  Somos as maiores ví
timas de violência doméstica, onde 59,4% das mulheres que sofrem com esse tipo de violência são negras.

Queremos o fim da violência obstétrica!  De acordo com o Ministério da Saúde e Fiocruz, somos as maiores vítimas de mortalidade materna (62,8%) e da violência obstétrica (65, 9%). Ainda continuam nos mutilando e nos negando anestesia, pois não somos vistas como seres humanos e ainda perpetuam a ideia de que a mulher negra não sente dor. Nós somos fortes e nossos corpos são feitos de luta, mas exigimos tratamento digno e saúde de qualidade.

Queremos o fim do feminicídio, onde as mulheres negras têm duas vezes mais chances de serem assassinadas do que as mulheres brancas. Somos 68,8% das mulheres mortas por agressão. Queremos o direito de viver sem medo de acabarmos assassinadas por ex-companheiros, agressores do nosso cotidiano e, principalmente, pelo estado. Parem de nos matar!

As pautas do Julho das Pretas precisam continuar existindo durante as outras épocas do ano, porque a atual conjuntura do Brasil não permite uma vivência digna para essas mulheres. O racismo continua tombando esses corpos negros e não é num bom sentido. Se as mulheres não-negras precisam lutar contra o machismo, as mulheres negras têm um trabalho de lutar contra o machismo, o racismo, o classicismo e outras questões diretamente ligadas à população negra.

As mulheres negras querem o mínimo que se pode exigir numa sociedade democrática: viver. E continuaremos pautando nossas questões e lutando pelos nossos direitos não só em julho e não só em novembro, mas durante o ano todo. Se for preciso, gritaremos, porque Vilma Reis nos ensinou que mulheres negras não podem falar baixo e têm que andar, de preferência, com o bicão na diagonal. Ela ainda nos lembra o que Alice Walker também ensina: para nós, falar alto é exercício de poder.

*Dados: Agência Patrícia Galvão

0 comentários: