Abandono Paterno - Ashismos, por Ashley Malia

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domingo, agosto 12, 2018

Abandono Paterno


Por Itana Lins

No mês dos Pais, todas as atenções estão voltadas para esta data “especial”, para os que possuem uma figura paterna presente, aproveitem. Contudo a realidade é que, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), são 5,5 milhões de crianças sem o nome do pai na certidão de nascimento no Brasil e isso é apenas o começo do que chamamos de abandono paterno.

Falta de pai, pai relapso, pai ausente emocionalmente, existem diversas maneiras de prejudicar a formação identitária de um filho com os traumas que vem no pacote do abandono. Tendo a insistir que não é só a ausência do nome nos documentos que machuca, o abandono se personifica no pai que convive com os filhos e não dá carinho, amor, atenção, naquele que quer moldar a criança aos seus ideais, mas esquece de que as crias são do mundo e pensam sozinhos, e usam a frustração para deixar de lado alguém que um dia deu amor. Também é visto no pai que abusa, maltrata e/ou violenta, aquele que abre mão do seu papel paterno para ser o grande vilão. Independente de qual seja o tipo, abandono é abandono e precisa ser discutido, pois, é a família que molda a personalidade e a vida social do indivíduo.

Socialmente, entende-se que a mulher nasce pronta para ser mãe, que é um dom, enquanto o homem é livre e mesmo quando pai não é visto como tão necessário e com tantas obrigações quanto à parceira, essa disfunção social já denuncia o quão naturalizado é aceitar um abandono paterno na sociedade, pois já é da natureza masculina, enquanto é da feminina ser a Super Mulher que se divide como mãe, trabalhadora e dona de casa. Porém, eis aqui uma verdade, convenções sociais não devem minimizar a gravidade dos erros.

Apesar de haver várias modalidades de abandono, podemos ter como avanço as garantias judiciais, o artigo 227 da Constituição Federal rege a dignidade dos abandonados resguardando a eles o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. Além da existência de oito anos do projeto Pai Presente do CNJ, onde há uma busca por crianças sem o nome paterno na Certidão de Nascimento, um questionamento para a mãe para saber sobre esta ausência e posteriormente a solução da situação de uma maneira bem menos burocrática. A declaração de paternidade também pode ser solicitada pelo pai e é mais ágil e fácil.

A reflexão para esse Dia dos Pais é que, independente de possuir uma figura paterna presente, é necessário entender a existência desse problema social que atinge boa parte do país, além de não naturalizar o abandono paterno pela construção social a respeito do homem e aprender que família é um termo fluido e deveria ser definido como pessoas que fazem bem, educam, apoiam e não por relações sanguíneas. Laço sanguíneo não significa amor, não se martirize por não amar por obrigação!

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