Precisamos falar sobre relacionamento abusivo


Por Itana Lins

No ano do décimo segundo aniversário da Lei Maria da Penha, precisamos mais uma vez falar das consequências do machismo, raiz que sustenta ideais antiquados entranhados na sociedade, entre eles, os relacionamentos abusivos. Podemos definir como abusiva, uma relação onde uma pessoa, geralmente uma mulher, é manipulada, controlada e perde boa parte de sua liberdade em prol de outro alguém, além de haver a presença de violência, seja física, sexual ou psicológica.

Observando que as mulheres são as maiores vítimas desse tipo de relação, torna-se necessário discutir não só este tema, como também o mito do amor perfeito, do príncipe encantado que chega em um cavalo branco salva a mocinha linda e indefesa demonstrando ser maravilhoso, assim como todo homem em um inicio de relacionamento abusivo, onde existem presentes, elogios e a criação da melhor imagem para todos ao redor, porém este mesmo homem também manipula, controla as roupas, a carreira, as redes sociais e violenta, fisicamente ao agredir, psicologicamente e verbalmente através de discussões e ofensas que baixam a autoestima e estimulam o desenvolvimento de doenças como depressão e transtorno de ansiedade, e sexualmente ao manipular para conseguir sexo consensual ou a força, o que caracteriza o também crime de estupro. Vale ressaltar que somente no primeiro semestre do ano de 2017, 23 mil denúncias de violência foram registradas na Bahia, muitas delas provenientes deste tipo de relação. 

Para os que veem um relacionamento abusivo de fora, fica o aviso de que culpar uma mulher que deixou se encantar por alguém que parecia ser o príncipe, que vive esse tipo de relação cegamente, pois não enxerga ou entende os outros tipos de violência existentes além da física, ou que depende financeiramente, ou que aceita o que sofre por possuir uma doença psicológica, ou filhos, ou até mesmo por questões religiosas e longo tempo de relacionamento, só contribui para a negação do próprio estado da vítima, que mesmo com o apoio de amigos e familiares, muitas vezes não consegue se libertar daquilo, tornando a ajuda apenas mais uma dor.

Para aquelas que vivem, não se diminua por outro alguém, se você pode ser mais, seja. Por mais que seja demorado e difícil aceitar, não é normal estar sempre errada, ser tachada como louca e/ou dramática, não ter o controle da sua própria vida ou não ter privacidade e suas vontades respeitadas, não ter apoio e sim agressividade e violência. Doí, mas é possível sair e se houver medo, vai com ele, e se for necessário, acione alguém de sua confiança, utilize do 180 (Central de Atendimento à Mulher) que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, ou vá até a Delegacia da Mulher mais próxima, apesar de não ser eficaz como desejado, as medidas legais ainda são um bom caminho.

E por fim, para aquelas e aqueles que viveram e saíram, sejam bem-vindos de volta, é doloroso e libertador, mas não esqueça que você é suficiente, que aquela relação não pode te fechar para as outras, que também é necessário ter cuidado para não passar novamente por aquilo e que acima de tudo, você é forte, linda (o) e independente da idade, tem toda uma vida pela frente, abandone os hábitos adquiridos e sinta-se livre para ser o mulherão/homão que você sempre foi e sempre poderá ser.

Um comentário:

  1. Ótima análise acerca do tema, infelizmente ainda existem muitas meninas vivendo esta realidade. O texto surge como um alerta de utilidade pública para nos fazer no mínimo refletir os nossos comportamentos.

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