Racismo na Caixa Econômica Federal: o corpo negro não é público



Nesta segunda-feira (25), fomos obrigados a, mais uma vez, ver um homem negro sofrer racismo, sendo atacado com um golpe conhecido como “mata-leão”. Desta vez o caso aconteceu em Salvador, na última terça-feira (19), na Caixa Econômica Federal, e os agressores foram dois policiais. Crispim Terral, 34 anos, foi a vítima e publicou o relato nas redes sociais. Tudo isso lembra bem o caso do Pedro Gonzaga, vítima de racismo institucional, assassinado no Rio por um segurança do supermercado Extra. Por ser negro.


No vídeo a gente se depara com dois policiais golpeando violentamente um homem negro que não infringiu nenhuma lei e não causou nada naquele lugar. Quando isso acontece, é preciso dar nome às coisas: racismo institucional. Foi abuso de poder, foi racismo, foi violência vinda de homens que, tecnicamente, estão ali para oferecer segurança à população. Mas para eles, esses corpos são ameaças em qualquer situação em que estejam. O pior de tudo é ver que são pessoas negras violentando outras pessoas negras. O pior de tudo é saber que grande parte dos policiais militares são homens negros que moram em bairros periféricos. A cegueira causada pelo poder faz com que esses homens nos vejam como ameaças, mas não percebem que eles são tão negros quanto nós. É a síndrome de Capitão do Mato agindo novamente, todos os dias.

Não nos vendem mais, porém as heranças da escravidão continuam aqui. Eles continuam achando que esses corpos são públicos. O mata-leão dói como uma chicotada, por isso é tão difícil assistir ao vídeo. E ao mesmo tempo que dói, somos obrigados a assisti-lo em looping nos jornais sensacionalistas que fazem questão de revitimizar esse homem. Mas não só na TV, somos obrigados a assistir essa cena a cada momento em que um policial abusa do poder, se sentindo o dono do mundo por causa de uma arma e nos escolhendo como alvos.

Quem foi que disse que a carne mais barata do mercado tem que ser a carne negra? Não tem que ser. Não mais! Esse corpo preto que escreve, que transita nas ruas, que resolve burocracias num banco, que tem o direito de se divertir no Carnaval, que tem o direito de viver… Ele não é público. E já se foi o tempo de não ter punição para aqueles que empunham as armas e chicotes. A gente aprendeu a se defender, a gente aprendeu a ir atrás dos nossos direitos. E a gente vai.

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